✧A minha alma tem tédio à minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma. ✧2Direi a Deus: Não me condenes; faze-me saber porque contendes comigo. ✧3Porventura, tens prazer em oprimir, em rejeitar a obra das tuas mãos e em favorecer o conselho dos iníquos? ✧4Acaso, tens tu olhos de carne ou vês tu como vê o homem? ✧5São os teus dias como os dias do homem ou os teus anos, como os anos do homem, ✧6para te informares da minha iniquidade e averiguares o meu pecado? ✧7Sabendo tu que eu não sou iníquo, não há ninguém que possa livrar da tua mão. ✧8As tuas mãos me fizeram e me formaram, todo em roda… e tu me consomes! ✧9Lembra-te, pois, de que, como barro, me fizeste; e queres reduzir-me a pó? ✧10Porventura, não me vazaste como leite e não me coalhaste como queijo? ✧11De pele e de carne me vestiste e de ossos e de nervos me teceste. ✧12Vida e misericórdia me tens concedido, e a tua providência tem conservado o meu espírito. ✧13Contudo, ocultaste essas coisas no teu coração; sei que isso está no teu espírito. ✧14Se eu pecar, tu me observas e não me absolverás da minha iniquidade. ✧15Se eu for iníquo, ai de mim; ainda que seja justo, não levantarei a minha cabeça, estando farto de ignomínia, e de contemplar a minha aflição. ✧16Se a minha cabeça se exaltar, tu me caçarás como um leão feroz; e tornarás a mostrar-te em maravilhas contra mim. ✧17Renovarás as tuas testemunhas contra mim e multiplicarás a tua indignação sobre mim. Revezar-se-ão contra mim tropas de males. ✧18Por que, pois, me tiraste da madre? Eu tivera expirado, e nenhum olho me tivera visto. ✧19Eu teria sido como se nunca fora; da madre teria sido levado para a sepultura. ✧20Não são poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me, para que, por um pouco, eu tome alento. ✧21Antes que eu vá para o lugar de que não voltarei, para a terra das trevas e da sombra da morte, ✧22terra escuríssima, como a mesma escuridão, terra da sombra da morte, sem ordem alguma e onde a própria luz é escuridão.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).