✧1Então, respondeu Jó: ✧2Na verdade, sei que assim é. Mas como pode um homem ser justo para com Deus? ✧3Se alguém quisesse contender com ele, de mil coisas não lhe poderia responder nem sequer uma. ✧4Sábio é ele de coração e poderoso em força. Quem se endureceu contra ele e foi bem sucedido? ✧5Ele é quem remove os montes, sem que o saibam, quando os transtorna na sua ira. ✧6Ele move a terra do seu lugar, e as suas colunas estremecem. ✧7Ele dá ordens ao sol, e o sol não nasce; e sela as estrelas. ✧8Ele sozinho estende os céus e anda sobre as ondas do mar. ✧9Ele faz a Ursa, o Órion e as Plêiades e as câmaras do Sul. ✧10Ele faz grandes coisas inescrutáveis e maravilhas sem número.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).
✧11Eis que ele passa junto a mim, e eu não o vejo; ele segue o seu caminho, mas eu não o percebo.
✧12Eis que toma a presa! Quem o pode proibir? Quem lhe dirá: Que é o que fazes?
✧13Deus não retirará a sua ira. Debaixo dele, curvam-se os que ajudam a Raabe.
✧14Quanto menos lhe responderei eu e escolherei as minhas palavras para discutir com ele?
✧15Ainda que eu fosse justo, todavia, não lhe responderia; faria súplicas ao meu adversário.
✧16Se eu tivesse chamado, e ele me tivesse respondido, ainda assim eu não creria que ele me desse ouvidos à minha voz.
✧17Pois ele me desfaria com uma tempestade e multiplicaria as minhas feridas sem causa.
✧18Não me permitiria respirar, mas me encheria de amargura.
✧19Se falais da força do poderoso, eis-me aqui, diz ele. E, se do juízo: Quem me citará para comparecer?
✧20Ainda que eu seja justo, a minha própria boca me condenará;
✧21embora seja eu sincero, ela me convencerá de perverso. Eu sou sincero; não me estimo a mim mesmo, desprezo a minha vida.
✧22Para mim, tudo é o mesmo. Portanto, digo: Ele destrói o sincero e o iníquo.
✧23Se o flagelo mata de repente, ele zombará do desespero dos inocentes.
✧24A terra está entregue nas mãos dos iníquos. Ele cobre os rostos dos juízes dela; se não é ele, quem é, logo?
✧25Os meus dias são mais velozes do que um correio; Fogem e não veem a felicidade.
✧26Eles têm passado como navios de papiro, como a águia que se lança sobre a presa.
✧27Se digo: Esquecer-me-ei da minha queixa, deixarei o meu ar triste e tomarei alento;
✧28tenho medo de todas as minhas tristezas, sei que não me terás por inocente.
✧29Eu serei condenado; por que, pois, trabalho eu debalde?
✧30Se eu me lavar com a água de neve e limpar as minhas mãos o mais possível,
✧31todavia, me submergirás no fosso, E os meus próprios vestidos me abominarão.
✧32Pois ele não é homem, como eu, para eu lhe responder, para nos encontrarmos em juízo.
✧33Não há entre nós um árbitro, para pôr a sua mão sobre ambos.
✧34Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror;
✧35então, eu falarei e não o temerei, pois eu não sou assim em mim mesmo.