Mateus 2 · ARA
Almeida Revista e Atualizada
Mateus 2 narra a visita dos magos do Oriente a Jesus, a fuga da família para o Egito e o massacre dos meninos em Belém ordenado por Herodes. O capítulo mostra o reconhecimento de Jesus como rei pelos magos e a violenta oposição de Herodes, cumprindo profecias do Antigo Testamento.
O Evangelho de Mateus foi escrito para uma comunidade de judeus-cristãos, provavelmente na Síria ou Palestina, por volta dos anos 70-90 d.C. O autor, tradicionalmente identificado como o apóstolo Mateus, busca demonstrar que Jesus é o Messias prometido nas Escrituras hebraicas. Este capítulo segue diretamente o nascimento de Jesus e a genealogia que o conecta a Abraão e Davi, apresentando as primeiras reações ao seu nascimento: adoração dos magos e perseguição de Herodes.
O capítulo utiliza citações proféticas para interpretar os eventos: Miqueias 5.2 sobre Belém (v. 6), Oseias 11.1 sobre o chamado do Egito (v. 15), Jeremias 31.15 sobre o luto em Ramá (v. 18) e uma referência geral a profetas sobre Nazaré (v. 23). Essas citações reforçam a tese de que a vida de Jesus cumpre as Escrituras, mesmo nos detalhes geográficos e históricos.
Os magos do Oriente eram provavelmente astrônomos ou sábios persas ou babilônios, não necessariamente reis. A estrela que os guia é um fenômeno astronômico não identificado com precisão, possivelmente uma conjunção planetária ou uma supernova. O costume de presentear governantes com ouro, incenso e mirra era comum no mundo antigo; a mirra era usada em embalsamamento e rituais religiosos. Herodes, o Grande, governou a Judeia sob domínio romano de 37 a 4 a.C., conhecido por sua paranoia e violência, inclusive contra sua própria família.
O massacre dos inocentes (v. 16) é um episódio frequentemente citado fora de contexto para questionar a historicidade do relato, já que não é mencionado por historiadores como Flávio Josefo. No entanto, o número de crianças mortas em Belém, uma pequena aldeia, teria sido pequeno (talvez entre 10 e 20), o que explica a ausência em fontes seculares. O choro de Raquel, citado de Jeremias, originalmente se referia ao exílio do reino do norte, mas Mateus o aplica ao luto de Belém, usando um método judaico de interpretação tipológica.
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