Mateus 1 · ARA
Almeida Revista e Atualizada
Mateus 1 apresenta a genealogia de Jesus Cristo desde Abraão até José, seu pai adotivo, e narra o anúncio do anjo a José sobre o nascimento virginal de Jesus. O capítulo estabelece Jesus como herdeiro legítimo das promessas feitas a Abraão e a Davi, e mostra a intervenção divina em seu nascimento.
Este capítulo abre o Evangelho de Mateus, cuja autoria é tradicionalmente atribuída a Mateus, um dos doze apóstolos e ex-coletor de impostos. A data de composição é disputada: muitos estudiosos a situam entre 70 e 90 d.C., após a destruição do Templo de Jerusalém, enquanto outros defendem uma data anterior, por volta de 50-60 d.C. O livro foi escrito para uma comunidade de judeus-cristãos, provavelmente na Síria ou Palestina, e visa mostrar que Jesus é o Messias prometido nas Escrituras hebraicas.
A genealogia (versículos 1-17) não é uma lista exaustiva, mas uma construção teológica. Mateus organiza as gerações em três blocos de catorze, número que em hebraico corresponde às letras do nome de Davi. O propósito é vincular Jesus à linhagem real davídica e à promessa a Abraão de que todas as nações seriam benditas em sua descendência. A inclusão de cinco mulheres (Tamar, Raabe, Rute, a mulher de Urias e Maria) é incomum em genealogias judaicas e já aponta para a missão universal de Jesus e para a ação surpreendente de Deus na história.
O anúncio a José (versículos 18-25) ocorre em um contexto cultural onde o noivado (desponsatio) era um contrato legal vinculante, e a infidelidade era punível com apedrejamento (Deuteronômio 22,23-24). A decisão de José de deixar Maria secretamente revela sua justiça misericordiosa. A citação de Isaías 7,14 (versículo 23) é central: no texto original hebraico, a palavra "almah" significa "jovem mulher", mas a Septuaginta (tradução grega do AT) a traduziu como "parthenos" (virgem), que Mateus usa. Esse é um dos primeiros exemplos de como o evangelista interpreta eventos da vida de Jesus como cumprimento profético.
Um trecho frequentemente citado fora de contexto é o versículo 25, "não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho". No grego, "heós" (até que) não implica necessariamente que houve relações depois do nascimento; pode indicar apenas que não houve antes. A Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas interpretam isso como uma perífrase que não nega a virgindade perpétua de Maria, enquanto a maioria das tradições protestantes entende que José e Maria tiveram filhos depois (cf. Mateus 13,55-56). O texto em si não resolve a questão, que permanece como divergência entre cristãos fiéis.
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