Isaías 40 · ARA
Almeida Revista e Atualizada
Isaías 40 marca a transição da primeira para a segunda parte do livro, passando de juízo para consolo. Deus anuncia o perdão de Judá e ordena que preparem o caminho para sua vinda, contrastando a fragilidade humana com o poder e a fidelidade divinos.
A composição do livro de Isaías é disputada. Muitos estudiosos entendem que os capítulos 40 a 55 foram escritos por um profeta anônimo, por vezes chamado de Segundo Isaías, que viveu no final do exílio babilônico, por volta de 540 a.C., quando o império persa estava prestes a conquistar a Babilônia. A tradição judaica e cristã, porém, atribui o livro inteiro ao profeta Isaías, filho de Amoz, do século 8 a.C. A visão tradicional explica o capítulo como uma antevisão profética do exílio vindouro e do livramento posterior.
Este capítulo abre a seção conhecida como "Livro da Consolação" (capítulos 40 a 55). O contexto histórico do capítulo 39, que encerra a primeira parte, é o anúncio do exílio babilônico ao rei Ezequias. Agora, o povo está no cativeiro, e a mensagem muda de juízo para consolo: a punição está completa, e Deus prepara o retorno. A voz que clama "preparai no deserto o caminho" não se refere a uma estrada literal, mas à remoção dos obstáculos morais e espirituais (vales elevados, montes baixados) para a vinda de Deus como rei e pastor, numa linguagem poética de triunfo.
O versículo 3, "Preparai no deserto o caminho de Jeová", é citado nos evangelhos sinóticos (Mateus 3, Marcos 1, Lucas 3) como referência a João Batista, que preparou o caminho para Jesus. No contexto original de Isaías, porém, a voz clama no deserto físico por onde o povo exilado retornaria da Babilônia a Jerusalém, e o "caminho" é uma imagem de livramento e restauração nacional, não de vinda messiânica individual. A aplicação a João Batista é uma releitura dos primeiros cristãos que viram no ministério de João o cumprimento dessa profecia em um novo sentido.
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