✧Disse mais Eliú: ✧2Ouvi, sábios, as minhas palavras; escutai-me, vós que tendes conhecimento, ✧3pois o ouvido prova as palavras, como o paladar experimenta a comida. ✧4Escolhamos para nós o que é reto; conheçamos entre nós o que é bom. ✧5Porque Jó disse: Sou justo, e Deus me tirou o direito. ✧6Apesar do meu direito, sou tido por mentiroso; incurável é a minha ferida, embora não seja um transgressor. ✧7Que homem há como Jó, que bebe o escárnio como água? ✧8Que anda com os que obram a iniquidade e caminha com os homens iníquos? ✧9Pois disse: De nada aproveita ao homem ter o seu prazer em Deus. ✧10Portanto, ouvi-me, homens de entendimento. Longe esteja de Deus que pratique ele a maldade! E do Todo-Poderoso, que cometa a iniquidade! ✧11Pois retribuirá ao homem segundo as suas obras e pagará a cada um segundo os seus caminhos. ✧12Na verdade, Deus não procederá iniquamente, nem o Todo-Poderoso perverterá o juízo. ✧13Quem lhe encarregou de governar a terra? Ou quem organizou o mundo todo? ✧14Se ele pensar no homem, se recolher a si o seu espírito e o seu fôlego, ✧15toda a carne perecerá dum golpe, e o homem voltará para o pó. ✧16Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; escuta ao som das minhas palavras. ✧17Acaso, governará aquele que odeia o direito? Condenarás tu aquele que é justo e potente? ✧18Deve dizer-se ao rei: Tu és vil? Ou aos nobres: Vós sois iníquos? ✧19Quanto menos àquele que não guarda respeito às pessoas de príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre? Pois todos são obras das suas mãos. ✧20De improviso morrem, à meia noite; estremecem os povos e passam, e os poderosos são tirados sem intervenção humana. ✧21Os olhos de Deus estão sobre os caminhos do homem, e vê todos os seus passos. ✧22Não há trevas nem sombra da morte, onde se escondam os que obram a iniquidade. ✧23Pois Deus não precisa observar o homem por longo tempo, para que este compareça perante ele em juízo. ✧24Ele despedaça os poderosos sem tomar informação e põe outros em lugar deles. ✧25Portanto, toma conhecimento das suas obras e, de noite, os transtorna, de sorte que são esmagados. ✧26Ele os fere como iníquos, à vista de todos, ✧27porque se desviaram e não o seguiram; não quiseram compreender nenhum dos seus caminhos, ✧28fazendo que o clamor do pobre subisse a Deus, que ouviu o clamor dos aflitos. ✧29Quando ele dá tranquilidade, quem pode condenar? Quando esconde o seu rosto, quem o pode contemplar? Trata igualmente seja uma nação seja um homem, ✧30para que o ímpio não reine, e não haja quem iluda o povo. ✧31Pois jamais disse alguém a Deus: Tenho suportado castigos, ainda que não ofendo. ✧32O que não vejo, ensina-mo tu; se tenho feito iniquidade, não a tornarei a fazer? ✧33Será a sua recompensa, como queres, para que a recuses? Pois tu tens que fazer a escolha e não eu. Portanto, fala o que sabes. ✧34Os homens de entendimento dir-me-ão, e todo o sábio que me ouve: ✧35Jó fala sem conhecimento, e as suas palavras são despidas de sabedoria. ✧36Oxalá que Jó fosse provado até o fim, porque respondeu como os iníquos! ✧37Pois ao seu pecado acrescenta a rebelião; ele bate as mãos no meio de nós e multiplica as suas palavras contra Deus.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).