✧Todavia, peço-te, Jó, que ouças o meu discurso e que dês ouvidos a todas as minhas palavras. ✧2Eis que, agora, abro a minha boca, e, em minha boca, fala a minha língua. ✧3As minhas palavras vão mostrar que é reto o meu coração! Os meus lábios falarão com sinceridade o que sabem. ✧4O Espírito de Deus me fez, e o assopro do Todo-Poderoso me dá vida. ✧5Se puderes, responde-me; põe as tuas palavras em ordem diante de mim, apresenta-te. ✧6Eis que, diante de Deus, sou o que tu és; eu também sou formado do barro. ✧7Eis que não inspiro terror que te amedronte, nem será pesada sobre ti a minha mão. ✧8Na verdade, disseste aos meus ouvidos, e ouvi o som das tuas palavras: ✧9Estou limpo, sem transgressão; sou inocente, e não há em mim iniquidade. ✧10Eis que Deus procura motivos de inimizade comigo e me considera como o seu inimigo; ✧11põe no tronco os meus pés e observa todas as minhas veredas. ✧12Eu te responderei que, nisso, não tens razão, pois Deus é maior do que o homem. ✧13Queres contender com ele, porque ele não dá conta dos seus atos. ✧14Entretanto, Deus fala de um modo e ainda de outro modo, sem que o homem lhe atenda. ✧15Em sonho, em visão noturna, quando cai sono profundo sobre os homens, e dormem na cama, ✧16então, lhes abre os ouvidos e lhes sela a instrução, ✧17para apartar o homem do seu mau propósito e escondê-lo da soberba; ✧18para guardar da cova a sua alma e que a sua vida não pereça pela espada. ✧19É castigado no seu leito com dores e, com luta constante, nos seus ossos. ✧20De modo que a sua vida abomina o pão, e a sua alma, a comida apetecível. ✧21Consome-se a sua carne, de maneira que desaparece, e os seus ossos, que não se viam, se descobrem. ✧22A sua alma aproxima-se da cova, e a sua vida, dos mensageiros da morte. ✧23Se houver com ele um anjo, um intérprete, um entre mil, para mostrar ao homem qual é o seu dever, ✧24então, Deus se compadece dele e diz ao anjo: Livra-o, para que não desça à cova; acabo de achar resgate. ✧25A sua carne faz-se mais fresca do que a duma criança; ele torna aos dias da sua mocidade. ✧26Ele ora a Deus, e Deus lhe é propício, de modo que lhe vê o rosto com júbilo e lhe restitui a sua justiça. ✧27Canta diante dos homens e diz: Pequei, e perverti o que era reto, e não fui punido como merecia. ✧28Deus resgatou a minha alma da cova, e a minha vida verá a luz. ✧29Eis que tudo isso faz Deus duas e três vezes ao homem, ✧30para reconduzir da cova a sua alma, a fim de que seja iluminado com a luz dos viventes. ✧31Atende, Jó, ouve-me; cala-te, e eu falarei. ✧32Se tens alguma coisa que dizer, responde-me; fala, porque gostaria de te dar razão. ✧33Se não, escuta-me; cala-te, e eu te ensinarei a sabedoria.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).