✧Então, respondeu Jó: ✧2Ouvi atentamente as minhas palavras; seja isso a consolação que me quereis dar. ✧3Permiti-me que eu também fale; e, havendo eu falado, zombai. ✧4É, porventura, do homem que eu me queixo? Não tenho motivo de me impacientar? ✧5Olhai para mim, e pasmai, e ponde a mão sobre a vossa boca. ✧6Mesmo de pensar nisso, me perturbo, e o horror apodera-se da minha carne. ✧7Por que vivem os iníquos, se envelhecem e se robustecem em poder? ✧8Seus filhos estabelecem-se com eles à sua vista, e os seus descendentes, diante dos seus olhos. ✧9As suas casas estão livres de medo, e a vara de Deus não cai sobre eles. ✧10O seu touro gera e não falha; pare a sua vaca e não aborta. ✧11Fazem sair a seus filhos como um rebanho, e os seus pequenos saltam e brincam. ✧12Cantam ao som do tamboril e da harpa e regozijam-se ao som da flauta. ✧13Passam os seus dias em prosperidade e, num momento, descem ao Sheol. ✧14Contudo, disseram a Deus: Retira-te de nós, pois não desejamos conhecer os teus caminhos. ✧15Que é o Todo-Poderoso, para que o sirvamos? Que nos aproveitará, se lhe dirigirmos orações? ✧16Eis que não está nas mãos deles a sua prosperidade. Longe de mim o conselho dos iníquos! ✧17Quantas vezes sucede que se apaga a lâmpada dos iníquos? Que lhes sobrevém a calamidade? Que Deus, na sua ira, lhes distribui dores? ✧18Que eles são como a palha diante do vento e como a pragana que a tempestade leva? ✧19Deus, dizeis vós, reserva a iniquidade do pai para seus filhos, mas é a ele mesmo que Deus deveria punir, para que o sinta. ✧20Vejam os seus próprios olhos a sua destruição, e beba ele do furor do Todo-Poderoso. ✧21Pois que se lhe dá a ele da sua casa depois de morto, quando lhe for cortado o número dos seus meses? ✧22Acaso, a Deus ensinará alguém ciência, desde que é ele quem julga os que são elevados? ✧23Um morre em seu pleno vigor, inteiramente sossegado e tranquilo; ✧24com os seus baldes cheios de leite e a medula dos seus ossos umedecida; ✧25outro, porém, morre em amargura de alma e nunca prova o bem; ✧26dormem juntamente no pó, cobrem-nos os vermes. ✧27Eis que conheço os vossos pensamentos e os desígnios que injustamente imaginais contra mim. ✧28Pois dizeis: Onde está a casa do príncipe? Onde está a tenda em que moravam os iníquos? ✧29Porventura, não tendes interrogado aos viandantes? E desconheceis os fatos da sua experiência: ✧30que os homens maus são poupados no dia da calamidade, que são protegidos no dia do furor? ✧31Quem lhe lançará no rosto o seu caminho? Quem lhe dará o pago do que fez? ✧32Contudo, ele é levado para a sepultura, e vigiam-lhe o túmulo. ✧33Os torrões do vale lhe são leves, e todos os homens o imitarão, como ele o fez aos inumeráveis predecessores. ✧34Como, pois, me ofereceis consolações vãs, visto que das vossas respostas só resta a falsidade?
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).