✧1Respondeu, porém, Jó: ✧2Ouvi atentamente as minhas razões, e já isso me será a vossa consolação. ✧3Tolerai-me, e eu falarei; e, havendo eu falado, podereis zombar. ✧4Acaso, é do homem que eu me queixo? Não tenho motivo de me impacientar? ✧5Olhai para mim e pasmai; e ponde a mão sobre a boca; ✧6porque só de pensar nisso me perturbo, e um calafrio se apodera de toda a minha carne. ✧7Como é, pois, que vivem os perversos, envelhecem e ainda se tornam mais poderosos? ✧8Seus filhos se estabelecem na sua presença; e os seus descendentes, ante seus olhos. ✧9As suas casas têm paz, sem temor, e a vara de Deus não os fustiga. ✧10
O seu touro gera e não falha, suas novilhas têm a cria e não abortam.
✧11Deixam correr suas crianças, como a um rebanho, e seus filhos saltam de alegria;
✧12cantam com tamboril e harpa e alegram-se ao som da flauta.
✧13Passam eles os seus dias em prosperidade e em paz descem à sepultura.
✧14E são estes os que disseram a Deus: Retira-te de nós! Não desejamos conhecer os teus caminhos.
✧15Que é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?
✧16Vede, porém, que não provém deles a sua prosperidade; longe de mim o conselho dos perversos!
✧17Quantas vezes sucede que se apaga a lâmpada dos perversos? Quantas vezes lhes sobrevém a destruição? Quantas vezes Deus na sua ira lhes reparte dores?
✧18Quantas vezes são como a palha diante do vento e como a pragana arrebatada pelo remoinho?
✧19Deus, dizeis vós, guarda a iniquidade do perverso para seus filhos. Mas é a ele que deveria Deus dar o pago, para que o sinta.
✧20Seus próprios olhos devem ver a sua ruína, e ele, beber do furor do Todo-Poderoso.
✧21Porque depois de morto, cortado já o número dos seus meses, que interessa a ele a sua casa?
✧22Acaso, alguém ensinará ciência a Deus, a ele que julga os que estão nos céus?
✧23Um morre em pleno vigor, despreocupado e tranquilo,
✧24com seus baldes cheios de leite e fresca a medula dos seus ossos.
✧25Outro, ao contrário, morre na amargura do seu coração, não havendo provado do bem.
✧26Juntamente jazem no pó, onde os vermes os cobrem.
✧27Vede que conheço os vossos pensamentos e os injustos desígnios com que me tratais.
✧28Porque direis: Onde está a casa do príncipe, e onde, a tenda em que morava o perverso?
✧29Porventura, não tendes interrogado os que viajam? E não considerastes as suas declarações,
✧30que o mau é poupado no dia da calamidade, é socorrido no dia do furor?
✧31Quem lhe lançará em rosto o seu proceder? Quem lhe dará o pago do que faz?
✧32Finalmente, é levado à sepultura, e sobre o seu túmulo se faz vigilância.
✧33Os torrões do vale lhe são leves, todos os homens o seguem, assim como não têm número os que foram adiante dele.
✧34Como, pois, me consolais em vão? Das vossas respostas só resta falsidade.