Filipenses 2 · TB
Tradução Brasileira
Paulo exorta os filipenses à humildade e unidade, usando o exemplo supremo de Cristo, que se esvaziou e se humilhou até a morte de cruz. O capítulo também trata da obediência prática dos crentes, que devem brilhar como astros no mundo, e conclui com os planos de Paulo de enviar Timóteo e Epafrodito à igreja.
Filipenses é uma carta de Paulo, escrita por volta de 60-62 d.C., durante sua prisão em Roma (ou talvez em Cesareia ou Éfeso, segundo algumas hipóteses). A carta é dirigida à igreja em Filipos, uma colônia romana na Macedônia, fundada por Paulo em sua segunda viagem missionária (Atos 16). A relação entre Paulo e os filipenses é afetuosa, e a carta responde a uma doação que eles lhe enviaram por meio de Epafrodito.
O capítulo 2 é o coração teológico da carta. Nos capítulos anteriores, Paulo fala de seu sofrimento na prisão e exorta os filipenses a viverem de modo digno do evangelho. Aqui, ele desenvolve o apelo à humildade e à unidade, contrastando o egoísmo humano com a atitude de Cristo. O famoso hino cristológico (versículos 6-11) provavelmente já era um canto ou confissão usado nas primeiras comunidades, que Paulo incorpora para dar peso ao seu ensino. Depois do hino, ele retoma a exortação prática, conectando a teologia à vida concreta da igreja.
Um detalhe cultural e teológico importante está no termo grego kenosis (esvaziou-se, versículo 7). Diferentes tradições cristãs interpretam esse esvaziamento de maneiras diversas: alguns entendem que Cristo deixou de lado os atributos divinos; outros, que ele voluntariamente não usou sua glória e poder durante a encarnação. O texto não especifica o que foi deixado para trás, mas enfatiza a humilhação voluntária e a obediência até a morte.
O trecho sobre a salvação com temor e tremor (versículo 12) é frequentemente citado fora de contexto para defender a necessidade de medo e ansiedade na vida cristã. No contexto da carta, porém, o temor e tremor referem-se à postura de reverência e seriedade diante de Deus, especialmente porque Paulo está ausente e os filipenses precisam perseverar sem sua orientação direta. O versículo seguinte (13) garante que é Deus quem opera neles, equilibrando a responsabilidade humana com a ação divina.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).