Romanos 4 · NVI
Nova Versão Internacional
Paulo usa Abraão como exemplo principal para demonstrar que a justificação é pela fé, e não pelas obras da Lei. Ele argumenta que Abraão foi considerado justo antes de ser circuncidado, tornando-se pai de todos os que creem, circuncidados ou não. O capítulo conclui que essa mesma fé é a base da justificação para os cristãos que creem na ressurreição de Jesus.
A carta aos Romanos foi escrita pelo apóstolo Paulo, provavelmente entre 57 e 58 d.C., durante sua estada em Corinto, pouco antes de viajar a Jerusalém. O destinatário era a comunidade cristã em Roma, composta tanto por judeus quanto por gentios convertidos. Paulo ainda não havia visitado a igreja romana, e escrevia para apresentar seu evangelho de forma sistemática, preparando o terreno para uma futura visita e para obter apoio para sua missão na Espanha.
No capítulo anterior, Romanos 3, Paulo estabeleceu que tanto judeus quanto gentios estão sob o pecado e que a justiça de Deus se manifesta independentemente da Lei, mediante a fé em Jesus Cristo. Agora, em Romanos 4, ele prova esse argumento com a Escritura, recorrendo a Abraão, a figura mais venerada do judaísmo. O capítulo funciona como uma defesa exaustiva da tese de que a justificação é pela fé, não pelas obras, e antecipa as discussões sobre a segurança da salvação e o papel da graça que virão nos capítulos seguintes.
Um detalhe crucial que o leitor moderno pode perder é a função da circuncisão no judaísmo do primeiro século. Ela não era apenas um rito religioso, mas a marca física da aliança, o sinal que identificava alguém como pertencente ao povo de Deus e herdeiro das promessas. Ao mostrar que Abraão foi declarado justo antes de ser circuncidado (Gênesis 15.6 ocorre antes de Gênesis 17), Paulo inverte a lógica esperada: a circuncisão passa a ser o selo de uma justiça já recebida pela fé, e não o meio para obtê-la. Isso permitia que os gentios fossem incluídos na família de Abraão sem se tornarem prosélitos do judaísmo.
Os versículos 6 a 8, que citam o Salmo 32.1-2, são frequentemente usados em debates sobre a natureza do perdão. No contexto original do salmo, Davi celebra o alívio de ter confessado seu pecado. Paulo, porém, não está discutindo o processo de arrependimento, mas usando o salmo para provar que a bem-aventurança de Deus (a justificação) é concedida independentemente do cumprimento da Lei. Ele não está ensinando que o pecado não tem consequências, mas que a base da aceitação diante de Deus não são as obras humanas.
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