Mateus 6 · NVI
Nova Versão Internacional
Neste capítulo, Jesus continua o Sermão do Monte instruindo sobre três práticas religiosas (esmola, oração e jejum), enfatizando a motivação interior em vez da aparência externa. Ele ensina a oração do Pai Nosso e aborda temas como perdão, tesouros no céu, confiança em Deus e a ansiedade pelas necessidades materiais.
O capítulo 6 de Mateus é parte do Sermão do Monte (capítulos 5 a 7), o primeiro grande bloco de ensinamentos de Jesus no evangelho. Ele se dirige a discípulos e à multidão, contrastando a justiça do Reino dos Céus com as práticas hipócritas dos fariseus e escribas. O capítulo anterior tratou das bem-aventuranças e do cumprimento da Lei, enquanto este aprofunda a motivação interior nas práticas de piedade e a confiança em Deus.
A autoria do evangelho de Mateus é tradicionalmente atribuída ao apóstolo Mateus, um ex-cobrador de impostos, mas estudiosos modernos debatem se ele foi o autor direto. A maioria dos estudiosos data o evangelho entre 70 e 90 d.C., provavelmente escrito para uma comunidade judaico-cristã na Síria ou Palestina, em um contexto de tensão com o judaísmo rabínico após a destruição do Templo de Jerusalém (70 d.C.). O autor usa citações do Antigo Testamento para mostrar Jesus como o Messias prometido.
Vários termos e práticas mencionados precisam de esclarecimento cultural. 'Fazer tocar a trombeta' (versículo 2) é uma expressão figurativa para chamar atenção, não uma prática literal. As 'repetições desnecessárias' (versículo 7) se referem a orações pagãs que buscavam manipular os deuses pela quantidade de palavras. 'Unge a cabeça' (versículo 17) era um costume diário de higiene e cortesia no mundo greco-romano e judaico; não jejuar com aparência triste significava manter a rotina normal para não ostentar a prática. A expressão 'gentios' (versículos 7 e 32) designa não judeus, frequentemente usada para contrastar a ética do Reino com o comportamento das nações pagãs.
O versículo 33, 'buscai primeiramente o seu reino e a sua justiça', é frequentemente citado isoladamente como um chamado à prioridade espiritual. No entanto, no contexto do parágrafo (versículos 25-34), ele conclui uma seção sobre a ansiedade por comida e roupa, contrastando a preocupação dos gentios com a confiança no Pai celestial que provê. Não é uma negação da necessidade de trabalhar, mas uma reordenação das prioridades: confiar em Deus como provedor enquanto se busca seu Reino.
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