Mateus 5 · NVI
Nova Versão Internacional
Jesus sobe a um monte e ensina seus discípulos. O capítulo começa com as Bem-aventuranças e apresenta um ensino radical sobre a justiça que supera a dos escribas e fariseus, tratando de temas como ira, adultério, divórcio, juramentos e amor aos inimigos.
Este sermão, conhecido como o Sermão do Monte, abrange os capítulos 5 a 7 do Evangelho de Mateus. Mateus escreve para uma comunidade de judeus e gentios convertidos, provavelmente na Síria ou na Palestina, por volta dos anos 80-90 d.C. A autoria é tradicionalmente atribuída ao apóstolo Mateus, mas muitos estudiosos modernos consideram o evangelho anônimo, escrito por um cristão judeu familiarizado com as Escrituras hebraicas.
O capítulo 4 termina com Jesus chamando os primeiros discípulos e curando muitos doentes. Ao subir o monte e sentar-se (posição de mestre), Jesus inicia um discurso que reinterpreta a Lei de Moisés. O que vem antes prepara o cenário: Jesus é apresentado como o Messias que ensina com autoridade. O capítulo prepara o restante do sermão, que aprofunda a ética do Reino dos Céus.
A expressão "Bem-aventurados" (em grego, makarios) era comum em salmos e provérbios do Antigo Testamento para designar quem está em uma condição de alegria e favor divino. "Humildes de espírito" (versículo 3) se refere não a timidez, mas a quem reconhece sua total dependência de Deus, ao contrário do orgulho que os fariseus por vezes demonstravam. A menção a "sal da terra" e "luz do mundo" ecoa a identidade de Israel como povo escolhido, mas agora aplicada aos discípulos de Jesus.
O versículo 17 é frequentemente citado em debates sobre a relação entre a lei do Antigo Testamento e o ensino de Jesus. Muitos o usam para afirmar a validade perpétua da lei mosaica, enquanto outros argumentam que "cumprir" significa levar a lei à sua intenção plena, sendo que os versículos seguintes (21-48) mostram Jesus reinterpretando e radicalizando mandamentos, não simplesmente repetindo-os. A frase "Eu, porém, vos digo" (repetida seis vezes) contrasta diretamente a autoridade de Jesus com a tradição oral rabínica ("tendes ouvido que foi dito aos antigos"), e não com o próprio texto da Lei.
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