João 8 · NVI
Nova Versão Internacional
Este capítulo contém dois grandes blocos: o episódio da mulher adúltera (vv. 1-11) e um longo debate de Jesus com os fariseus no templo sobre sua identidade e sua relação com Abraão. Jesus se apresenta como a luz do mundo, afirma sua pré-existência ('antes que Abraão fosse, Eu Sou') e provoca uma tentativa de apedrejamento.
A autoria do Evangelho de João é tradicionalmente atribuída ao apóstolo João, filho de Zebedeu, mas estudiosos modernos debatem se o livro foi escrito por uma única pessoa ou por uma comunidade joanina. A datação mais aceita situa a redação final por volta de 90-100 d.C., num contexto de crescente tensão entre os seguidores de Jesus e a liderança judaica sinagogal. O capítulo 8 faz parte de uma longa seção (capítulos 7-10) centrada na festa dos Tabernáculos, onde Jesus ensina no templo e enfrenta crescente oposição.
Os versículos 1-11 (a perícopa da adúltera) estão ausentes dos manuscritos mais antigos e confiáveis do Evangelho de João (como P66 e P75 do século III), e muitos estudiosos acreditam que se trata de uma tradição oral posterior inserida no texto. O estilo e o vocabulário diferem do restante do Evangelho, e alguns manuscritos a colocam em Lucas. Contudo, a Igreja a reconhece como canônica e inspirada, mesmo debatendo sua origem. Ela interrompe o fluxo do capítulo 7-8: Jesus passou a noite no Monte das Oliveiras (v.1) e retorna ao templo para ensinar.
A expressão 'Eu Sou' (grego: egō eimi) usada por Jesus nos versículos 24, 28 e 58 é uma referência direta ao nome divino revelado a Moisés em Êxodo 3.14. Para o leitor judeu da época, essa afirmação era uma reivindicação de divindade, o que explica a reação violenta dos líderes religiosos que 'pegaram em pedras para lhe atirar' (v.59). A controvérsia sobre a descendência de Abraão (vv. 31-59) também reflete debates do final do primeiro século entre judeus e cristãos sobre quem são os verdadeiros herdeiros da promessa.
O versículo 32 ('conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará') é frequentemente citado fora de seu contexto imediato. No capítulo, Jesus está falando com judeus que creram nele (v.31), e a 'verdade' que liberta não é uma verdade filosófica abstrata, mas a pessoa e o ensino de Jesus, que liberta da escravidão do pecado (v.34). A resposta dos interlocutores (v.33) mostra que eles entendem a liberdade em termos políticos e genealógicos, enquanto Jesus redefine a liberdade como libertação do pecado por meio do Filho.
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