Mateus 9 · NAA
Nova Almeida Atualizada
Jesus cura um paralítico, perdoando seus pecados e gerando controvérsia com os escribas. Ele chama Mateus, o publicano, e começa a ensinar sobre sua missão entre pecadores, além de realizar curas e expulsões de demônios. O capítulo termina com Jesus se compadecendo da multidão e pedindo que os discípulos orem por mais trabalhadores para a colheita.
O Evangelho de Mateus foi escrito para uma comunidade judaico-cristã, provavelmente na Síria ou Palestina, por volta dos anos 80-90 d.C. A autoria é tradicionalmente atribuída ao apóstolo Mateus, o publicano chamado neste capítulo, mas muitos estudiosos acreditam que o autor foi um cristão judeu anônimo que usou fontes como o Evangelho de Marcos e uma coleção de ditos de Jesus (fonte Q). Mateus enfatiza Jesus como o cumprimento das profecias do Antigo Testamento e o Messias esperado por Israel.
Este capítulo está no início do ministério de Jesus, logo após o Sermão da Montanha (capítulos 5-7) e uma série de milagres no capítulo 8. Ele agrupa várias controvérsias e milagres para mostrar a autoridade de Jesus sobre o pecado, a doença, os demônios e a morte, além de apresentar a rejeição inicial por parte das autoridades religiosas. A sequência de eventos prepara o terreno para o envio dos discípulos no capítulo 10, já que Jesus aqui menciona a necessidade de mais trabalhadores para a colheita.
A expressão "Filho do homem" (versículo 6) é o título que Jesus mais usa para si mesmo em Mateus, com raízes em Daniel 7, onde designa uma figura celestial que recebe autoridade divina. O costume de "tocar a fímbria da capa" (versículo 20) refere-se às franjas (tsitsit) que os judeus usavam nas bordas das vestes, conforme Números 15,38-40, como lembrança dos mandamentos. A menção aos "odres" (versículo 17) se refere a recipientes de couro para armazenar vinho; odres velhos, ressecados, não suportavam a fermentação do vinho novo e rompiam.
O versículo 13, "Misericórdia quero e não holocaustos", é uma citação de Oseias 6,6, frequentemente usada fora de contexto para argumentar que o Antigo Testamento rejeita rituais em favor da ética. No contexto de Oseias, Deus critica a hipocrisia de um povo que oferece sacrifícios enquanto é infiel, e Jesus usa o mesmo princípio para justificar sua associação com pecadores, mostrando que o relacionamento com Deus (misericórdia) é mais importante que a observância ritualística isolada.
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