Mateus 7 · NAA
Nova Almeida Atualizada
Jesus conclui o Sermão do Monte com ensinamentos sobre julgamento, oração e discernimento, culminando na parábola dos dois construtores. Ele contrasta os que ouvem e praticam suas palavras com os que apenas ouvem, usando a imagem de casas edificadas sobre rocha ou areia.
Mateus 7 é o capítulo final do Sermão do Monte (Mateus 5 a 7), um dos principais blocos de ensino de Jesus no Evangelho de Mateus. Nos capítulos anteriores, Jesus apresentou as Bem-aventuranças, reinterpretou a Lei de Moisés e ensinou sobre piedade genuína, oração e jejum. Agora ele encerra com advertências e exortações práticas, preparando o terreno para a narrativa dos milagres que se segue a partir do capítulo 8. O sermão como um todo apresenta o caráter e as exigências do Reino dos Céus.
A expressão "não julgueis" no verso 1 é frequentemente citada fora de contexto como uma proibição absoluta de qualquer forma de discernimento moral. No entanto, o próprio contexto do capítulo mostra que Jesus espera que seus seguidores julguem com retidão: ele ensina a discernir falsos profetas pelos frutos (versos 15-20) e a distinguir entre o santo e os cães (verso 6). O que Jesus proíbe é o julgamento hipócrita e condenatório, que ignora os próprios pecados, como ilustrado pela imagem do argueiro e da trave.
A cultura judaica do primeiro século dava grande importância à distinção entre puro e impuro. O verso 6, que fala de não dar o que é santo aos cães nem lançar pérolas aos porcos, reflete essa sensibilidade: cães e porcos eram animais considerados impuros, e a imagem alerta contra expor o ensino sagrado a quem o rejeitará com desprezo, causando dano ao mensageiro.
A parábola final dos dois construtores (versos 24-27) ecoa uma tradição do Antigo Testamento, como a passagem de Ezequiel 13.10-16, que fala de construir com segurança. A imagem da rocha e da areia, em uma região sujeita a chuvas torrenciais e inundações repentinas, era imediatamente compreensível para os ouvintes. Jesus conclui com a observação de que ele ensinava com autoridade própria, diferente dos escribas, que baseavam seu ensino na tradição de mestres anteriores.
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