✧1“Não é verdade que a vida do ser humano neste mundo é uma luta sem fim? Não são os seus dias como os de um trabalhador diarista? ✧2Como o escravo que suspira pela sombra e como o trabalhador que espera pelo seu salário, ✧3assim me deram por herança meses de desengano e me proporcionaram noites de aflição. ✧4Ao deitar-me, pergunto: quando me levantarei? Mas a noite é longa, e estou farto de me virar na cama, até o amanhecer. ✧5O meu corpo está vestido de vermes e de crostas terrosas; a minha pele racha e de novo forma pus. ✧6Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão e se findam sem esperança. ✧7Lembra-te, ó Deus, de que a minha vida é um sopro; os meus olhos não tornarão a ver a felicidade. ✧8Os olhos de quem agora me vê não me verão mais; os teus olhos me procurarão, mas já terei desaparecido.”