Ezequiel 2 · ARA
Almeida Revista e Atualizada
Ezequiel recebe a comissão divina como profeta para a casa rebelde de Israel. Deus o adverte sobre a dureza do povo, mas o instrui a falar suas palavras independentemente da resposta. O capítulo termina com a visão de um rolo escrito com lamentações.
O livro de Ezequiel foi escrito pelo próprio profeta, que estava entre os exilados judeus na Babilônia após a primeira deportação em 597 a.C. O público original era a comunidade de exilados que vivia às margens do rio Quebar, na Mesopotâmia. O contexto histórico é o período do exílio babilônico, quando Jerusalém ainda não havia sido destruída (o que ocorreria em 586 a.C.), mas o juízo divino já era iminente.
Este capítulo é a continuação direta da visão inaugural de Ezequiel no capítulo 1, onde ele viu a glória de Deus em meio a querubins e rodas. Agora, no capítulo 2, Deus comissiona formalmente o profeta. O que vem antes é a visão teofânica que estabelece a autoridade e a santidade de Deus; o que vem depois, no capítulo 3, é a ingestão do rolo e o início do ministério profético de Ezequiel como sentinela para Israel.
A expressão "filho do homem" (ben adam, em hebraico) é usada mais de noventa vezes em Ezequiel para designar o profeta. Ela enfatiza a humanidade e fragilidade de Ezequiel em contraste com a majestade divina. Não é um título messiânico aqui, como ocorre em Daniel, mas um termo que destaca a condição mortal do mensageiro.
A imagem do rolo escrito por dentro e por fora indica uma mensagem completa e abundante, sem espaço para acréscimos. As "lamentações, suspiros e ais" (versículo 10) descrevem o conteúdo do juízo que Ezequiel deveria proclamar. Este trecho é frequentemente citado para ilustrar o peso e a seriedade da mensagem profética, mas o contexto mostra que o rolo é dado a Ezequiel como parte de sua comissão, e ele deve comê-lo (capítulo 3) para internalizar a palavra de Deus antes de pregá-la.
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