Ezequiel 1 · ARA
Almeida Revista e Atualizada
Ezequiel, sacerdote exilado junto ao rio Quebar, recebe uma visão extraordinária da glória de Deus. Ele vê quatro seres viventes com quatro rostos cada, rodas complexas cheias de olhos e, acima de tudo, um trono de safira com uma figura semelhante a um homem. Essa visão marca o início do ministério profético de Ezequiel entre os exilados na Babilônia.
O livro de Ezequiel é atribuído ao próprio profeta, que era sacerdote e foi levado ao exílio na Babilônia na segunda leva de deportados, em 597 a.C. O capítulo 1 se passa no quinto ano desse exílio, junto ao rio Quebar, um canal de irrigação próximo à cidade de Nipur, onde havia uma comunidade de judeus deportados. A datação precisa (trigésimo ano pode se referir à idade de Ezequiel ou a um cômputo geral) ancora a visão em um momento histórico de crise nacional, quando o templo de Jerusalém ainda estava de pé, mas prestes a ser destruído (o que ocorreria em 586 a.C.).
Este capítulo é a abertura do livro e funciona como a comissão profética de Ezequiel. Antes dele, não há narrativa introdutória; o profeta é apresentado diretamente pela visão. A experiência do chamado de Ezequiel difere das de Isaías e Jeremias, que ocorrem no templo ou na terra de Israel. Aqui, Deus se revela em território impuro, fora da terra prometida, mostrando que sua glória não está confinada a Jerusalém. A visão prepara o terreno para as mensagens de juízo e restauração que se seguirão.
A descrição detalhada dos seres viventes e das rodas é um dos textos mais enigmáticos da Bíblia. Os quatro rostos (homem, leão, boi e águia) representam, na tradição posterior, a totalidade da criação ou diferentes aspectos da realeza divina. As rodas dentro de rodas e os olhos ao redor sugerem onisciência e mobilidade ilimitada da presença divina. O 'electro' (versão 4 e 27) é uma tradução incerta de uma palavra hebraica rara que descreve um metal brilhante ou âmbar; a imagem evoca algo reluzente e indescritível.
O versículo 28, que compara o resplendor ao arco-íris, é frequentemente citado como uma imagem de esperança, mas no contexto imediato ele conclui uma teofania aterrorizante. O arco-íris aqui não é um sinal de aliança (como em Gênesis), mas sim um elemento da glória divina que leva o profeta a prostrar-se em temor. A visão como um todo sublinha a transcendência e o poder de Deus, que se manifesta mesmo em meio ao exílio e à aparente derrota de seu povo.
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