Salmos 139 · TB
Tradução Brasileira
O salmista declara que Deus conhece todos os seus pensamentos, ações e caminhos, e que não há lugar onde possa escapar da presença divina. Ele reconhece que Deus o formou no ventre materno e orquestrou seus dias. O salmo termina com um pedido para que Deus sonde o coração do salmista e o guie, após uma seção de imprecação contra os ímpios.
O Salmo 139 é um dos salmos atribuídos a Davi, conforme o título presente na maioria dos manuscritos hebraicos. Embora a autoria davídica seja tradicional, alguns estudiosos questionam essa atribuição com base em diferenças linguísticas e temáticas, mas a maioria dos comentaristas conservadores a mantém. O salmo é uma oração individual de lamento e confiança, e não há consenso sobre o contexto histórico específico em que foi composto.
Este salmo ocupa uma posição única no Saltério, sendo um dos mais profundos em termos teológicos, abordando a onisciência (vs. 1-6), onipresença (vs. 7-12) e onipotência criadora de Deus (vs. 13-16). Antes dele, o Salmo 138 é uma ação de graças pela fidelidade de Deus; depois, o Salmo 140 é um lamento pedindo livramento de inimigos. O Salmo 139, portanto, contrasta a confiança no conhecimento íntimo de Deus com o desejo de separação dos ímpios, preparando o terreno para os pedidos de proteção que se seguem.
Um detalhe cultural importante é o uso do termo "rins" (v. 13). No pensamento hebraico antigo, os rins eram considerados a sede das emoções, da consciência e dos pensamentos mais íntimos, de forma análoga ao que o coração representa para nós hoje. Quando o salmista diz que Deus "formou os meus rins", ele está afirmando que Deus criou a própria essência do seu ser interior.
Os versículos 19-22, nos quais o salmista expressa ódio pelos inimigos de Deus, são frequentemente citados fora de contexto como um exemplo de "ódio do Antigo Testamento" contrastado com o amor do Novo. No entanto, o contexto imediato é uma oração de alguém que, após contemplar a santidade e o conhecimento perfeito de Deus, deseja estar alinhado com Ele e separado do mal. O ódio aqui não é pessoal, mas uma rejeição àqueles que se opõem a Deus, e o salmo termina com um pedido para que Deus sonde o próprio coração do salmista (vs. 23-24), mostrando humildade e abertura à correção.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).