Mateus 25 · TB
Tradução Brasileira
Mateus 25 reúne três parábolas de Jesus sobre preparo e vigilância diante do fim dos tempos: as dez virgens, os talentos e o juízo final. Ele conclui o Sermão Profético iniciado no capítulo 24, advertindo seus discípulos sobre a necessidade de estarem prontos para a volta do Filho do Homem.
O capítulo 25 é a continuação do discurso de Jesus no Monte das Oliveiras, que começou em Mateus 24. Ali os discípulos perguntaram sobre o sinal da sua vinda e do fim dos tempos, e Jesus respondeu com alertas sobre guerras, perseguições e a destruição de Jerusalém. Agora ele aprofunda o tema com três parábolas que ensinam o que significa estar preparado. A audiência original são os discípulos, mas o texto foi escrito por Mateus para uma comunidade cristã de origem judaica, provavelmente entre os anos 60 e 80 d.C., em um contexto de tensão com o judaísmo rabínico e de expectativa pela volta iminente de Cristo.
A parábola das dez virgens (versículos 1 a 13) reflete um costume matrimonial judaico do primeiro século. O noivo ia buscar a noiva em sua casa e a levava em procissão para a festa de bodas, que podia durar vários dias. As virgens eram as damas de honra que saíam com lâmpadas de azeite para iluminar o caminho. A demora do noivo e o fechamento da porta não são detalhes alegóricos arbitrários: na cultura da época, chegar atrasado à festa significava ser excluído, e o anfitrião podia recusar entrada a retardatários. Jesus usa esse cenário para dizer que a preparação para o seu retorno é pessoal e intransferível.
O termo "talento", na parábola dos talentos (versículos 14 a 30), designa uma unidade de peso e de valor monetário equivalente a cerca de 34 quilos de prata ou ouro. Um único talento valia mais de vinte anos de salário de um trabalhador comum. Portanto, o servo que recebeu um talento não foi tratado com injustiça: recebeu uma fortuna considerável. A parábola não é uma lição sobre investimentos financeiros, mas sobre o uso fiel dos recursos e dons que Deus confia a cada pessoa durante o tempo de espera pelo Senhor. A frase "a todo o que tem, dar-se-lhe-á" (versículo 29) é frequentemente citada fora de contexto como uma lei de prosperidade ou de mérito humano; no texto ela integra a lógica da parábola, mostrando que a fidelidade no pouco leva a mais responsabilidade, e a omissão leva à perda.
O juízo final (versículos 31 a 46) usa a imagem de um pastor separando ovelhas e cabritos, prática comum na Palestina do primeiro século. Ovelhas e cabritos pastavam juntos, mas à noite eram separados porque os cabritos precisam de mais abrigo. O critério de julgamento são as obras de misericórdia para com "estes meus irmãos mais pequeninos". Há divergência entre cristãos sobre a identidade desses "irmãos": alguns entendem que se referem a todos os necessitados em geral, outros que se referem especificamente aos discípulos de Jesus perseguidos. O capítulo enfatiza que a fé verdadeira se manifesta em ações concretas, e que o destino final depende da resposta a essas necessidades, não de uma profissão verbal de fé isolada.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).