Mateus 13 · TB
Tradução Brasileira
Jesus ensina por meio de parábolas sobre o reino dos céus, começando com a parábola do semeador e sua explicação, seguidas das parábolas do joio, do grão de mostarda, do fermento, do tesouro escondido, da pérola de grande valor e da rede. O capítulo termina com a rejeição de Jesus em Nazaré, sua cidade natal.
O Evangelho de Mateus é tradicionalmente atribuído ao apóstolo Mateus, também conhecido como Levi, um cobrador de impostos que se tornou discípulo de Jesus. A data de composição é disputada: muitos estudiosos a situam entre os anos 70 e 90 d.C., após a destruição do Templo de Jerusalém, mas alguns defendem uma data anterior, por volta dos anos 50-60 d.C. A obra foi escrita para uma comunidade cristã de origem judaica, com forte ênfase no cumprimento das profecias do Antigo Testamento e na identidade de Jesus como o Messias prometido.
Este capítulo é um ponto de virada no ministério de Jesus, marcando uma mudança no seu método de ensino. Até aqui, ele havia ensinado de forma mais direta em discursos como o Sermão da Montanha (capítulos 5 a 7). A partir de agora, Jesus passa a falar exclusivamente por parábolas ao povo, reservando explicações particulares para os discípulos. O capítulo 13 forma o terceiro grande discurso de Mateus, o "Discurso das Parábolas", e prepara o leitor para a crescente oposição e rejeição que Jesus enfrentará nos capítulos seguintes, culminando na sua paixão.
A parábola do semeador e a explicação sobre o uso de parábolas (versículos 10-17) refletem uma teologia da revelação e do juízo: o ensino em parábolas tanto revela o reino para os que têm fé quanto o esconde dos que rejeitam a mensagem. A citação de Isaías 6.9-10 (versículo 14-15) era frequentemente usada no judaísmo para explicar a dureza de coração do povo diante da palavra divina. É comum que os versículos 11-12 sejam citados fora de contexto para sugerir que Deus arbitrariamente escolhe alguns para entender e outros não, mas no contexto original eles se referem à responsabilidade humana: os discípulos já haviam demonstrado fé ao seguir Jesus, enquanto a multidão, em sua maioria, permanecia incrédula.
A visita de Jesus a Nazaré (versículos 53-58) mostra a rejeição do profeta em sua própria terra. A pergunta "Não é este o filho do carpinteiro?" reflete a surpresa dos conterrâneos de que alguém de origem humilde pudesse ter tamanha sabedoria e poder. A expressão "irmãos de Jesus" (versículo 55) é interpretada de diferentes formas entre os cristãos: os católicos, seguindo a doutrina da virgindade perpétua de Maria, entendem que se tratam de primos ou parentes próximos; já os protestantes e ortodoxos, em geral, entendem que eram filhos biológicos de José e Maria, nascidos depois de Jesus.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).