Marcos 2 · TB
Tradução Brasileira
Jesus cura um paralítico e declara seus pecados perdoados, gerando controvérsia com escribas sobre sua autoridade para perdoar pecados. Ele chama o publicano Levi e come com pecadores e publicanos, defendendo sua missão de chamar pecadores ao arrependimento. Jesus também discute jejum, sábado e a incompatibilidade entre sua mensagem e as velhas estruturas religiosas.
Marcos é o evangelho mais antigo, escrito provavelmente por volta dos anos 60-70 d.C., durante ou logo após a perseguição de Nero. A tradição o atribui a João Marcos, companheiro de Pedro, e o público alvo são cristãos de origem gentia, o que explica as explicações de costumes judeus ao longo do texto.
Este capítulo se situa no início do ministério de Jesus na Galileia, logo após sua primeira pregação e chamado dos primeiros discípulos. Ele contém cinco controvérsias consecutivas: perdão e cura (2,1-12), comunhão com pecadores (2,13-17), jejum (2,18-22) e sábado (2,23-28). Essas histórias mostram a crescente oposição das autoridades religiosas e preparam o terreno para os confrontos mais intensos dos capítulos seguintes.
O detalhe cultural importante é que, no judaísmo do primeiro século, a doença era frequentemente associada ao pecado, e o perdão divino era um tema reservado ao Templo e aos sacerdotes. Os escribas (especialistas na Lei) consideravam que Jesus, ao perdoar pecados sem oferecer sacrifício no Templo, blasfemava ao usurpar prerrogativas divinas. A cura física, visível, serviu como prova de que sua autoridade espiritual era real.
A expressão 'o sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado' (2,27) é frequentemente citada como um princípio geral de liberdade religiosa ou de prioridade do ser humano sobre a lei. No contexto imediato, porém, Jesus está respondendo à acusação de que seus discípulos violavam o sábado ao colher espigas. Ele argumenta com base no exemplo de Davi (1 Samuel 21,1-6) e conclui que, como 'senhor do sábado', ele tem autoridade para definir seu uso correto, dentro da tradição judaica que já previa exceções para necessidade humana.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).