Marcos 13 · TB
Tradução Brasileira
Jesus profetiza a destruição do templo de Jerusalém e responde a perguntas dos discípulos sobre o fim dos tempos. Ele descreve sinais, perseguições e a vinda do Filho do Homem, concluindo com exortações à vigilância.
O Evangelho de Marcos é tradicionalmente atribuído a João Marcos, companheiro de Pedro e de Paulo, e a data de sua composição é disputada entre os estudiosos, sendo geralmente situada entre os anos 60 e 70 d.C., pouco antes ou durante a Primeira Guerra Judaico-Romana (66-73 d.C.). O capítulo 13, conhecido como o "Discurso do Monte das Oliveiras" ou "Pequeno Apocalipse", é o último grande discurso de Jesus antes de sua paixão. Ele ocorre logo após a controvérsia no templo (capítulo 12) e imediatamente antes da narrativa da unção em Betânia e da preparação para a Páscoa (capítulo 14).
O capítulo responde à admiração dos discípulos pela grandiosidade do templo herodiano, que era uma das maravilhas do mundo antigo. A afirmação de Jesus de que "não ficará pedra sobre pedra" era chocante para ouvintes judeus, para quem o templo era o centro da adoração e da identidade nacional. A expressão "abominação da desolação" (versículo 14) é uma referência direta ao livro de Daniel (9.27; 11.31; 12.11) e originalmente se referia à profanação do templo por Antíoco Epifânio em 167 a.C. No contexto de Marcos, muitos intérpretes a entendem como a profanação iminente do templo pelos romanos, que ocorreu em 70 d.C., quando o general Tito destruiu Jerusalém e o templo.
Há divergência significativa entre cristãos sobre a interpretação deste capítulo. Alguns adotam uma leitura "preterista", vendo o cumprimento das profecias na destruição de Jerusalém em 70 d.C., enquanto outros adotam uma leitura "futurista", que separa os eventos da queda de Jerusalém (versículos 1-23) de um fim dos tempos ainda futuro (versículos 24-37). Uma terceira posição, "historicista", vê o capítulo como descrevendo o curso da história da igreja até a segunda vinda de Cristo. O versículo 30, "não passará esta geração sem que todas essas coisas se cumpram", é central nesse debate: para alguns, "geração" se refere aos contemporâneos de Jesus; para outros, ao povo judeu como um todo; e para outros, à humanidade que testemunhará os sinais.
O versículo 32, onde Jesus afirma não saber o dia ou a hora, é um dos textos mais desafiadores da cristologia, pois parece limitar o conhecimento divino de Jesus. Diferentes tradições cristãs lidam com isso de maneiras diversas: algumas enfatizam a natureza humana de Jesus como distinta da divina, outras falam de um autoesvaziamento voluntário (kenosis), e outras ainda interpretam a afirmação como uma hipérbole retórica para enfatizar o sigilo do Pai. O capítulo termina com a parábola do porteiro (versículos 34-37), que exorta à vigilância constante, ecoando o tema do discurso: não saber o momento exato não é desculpa para a desatenção, mas motivo para estar sempre preparado.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).