Lucas 18 · TB
Tradução Brasileira
Jesus ensina sobre a persistência na oração e a humildade diante de Deus através de duas parábolas. Em seguida, ele acolhe crianças, confronta um jovem rico sobre o perigo das riquezas, prediz sua própria morte e ressurreição e cura um cego em Jericó.
O capítulo 18 de Lucas faz parte da seção de viagem a Jerusalém (9.51-19.28), onde Jesus ensina seus discípulos e confronta diversas pessoas sobre as exigências do Reino de Deus. Imediatamente antes, em Lucas 17, Jesus falou sobre a vinda do Reino e a necessidade de vigilância. Depois deste capítulo, em Lucas 19, ele entra em Jericó e se encontra com Zaqueu, antes de sua entrada triunfal em Jerusalém. As parábolas e encontros aqui preparam os discípulos para os eventos da paixão que se aproximam.
A parábola do juiz iníquo e da viúva persistente (vv. 1-8) utiliza uma figura comum no mundo antigo: a viúva, que era um dos membros mais vulneráveis da sociedade, sem proteção legal ou econômica. O juiz que não teme a Deus nem respeita os homens representa o extremo oposto da justiça ideal. A persistência da viúva é apresentada como modelo de oração, mas a pergunta final de Jesus (v. 8) sugere que a fé perseverante será rara quando ele voltar. Já a parábola do fariseu e do publicano (vv. 9-14) reflete a tensão entre os grupos religiosos do século I: os fariseus, conhecidos por sua observância rigorosa da Lei, e os publicanos, cobradores de impostos desprezados por colaborarem com Roma e por sua reputação de desonestidade. A oração do fariseu, embora agradeça a Deus, na verdade se gaba de suas obras, enquanto o publicano reconhece sua necessidade de misericórdia.
O episódio das crianças (vv. 15-17) e do jovem rico (vv. 18-30) contrasta duas formas de entrar no Reino: recebê-lo como uma criança, com total dependência, versus tentar merecê-lo por obras e riquezas. A frase sobre o camelo e o fundo de uma agulha (v. 25) é frequentemente citada fora de contexto como uma afirmação de que os ricos não podem ser salvos. No contexto, Jesus está mostrando a impossibilidade humana de alcançar a salvação por mérito próprio, e a resposta de Pedro (vv. 28-30) revela que o abandono dos bens por amor ao Reino resulta em recompensa presente e futura. A terceira predição da paixão (vv. 31-34) é mais detalhada que as anteriores, mas os discípulos ainda não a compreendem, preparando o leitor para o fracasso deles durante a crucificação.
A cura do cego em Jericó (vv. 35-43) é o último milagre registrado antes da entrada em Jerusalém. O cego chama Jesus de 'Filho de Davi', um título messiânico que reconhece Jesus como o herdeiro prometido do trono de Davi. Isso contrasta com a incompreensão dos discípulos e com a recusa do jovem rico em segui-lo. A fé do cego, que insiste em clamar apesar da oposição da multidão, resulta em sua cura e em seu seguimento imediato, glorificando a Deus e servindo de exemplo para todos os que ouvem.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).