João 3 · TB
Tradução Brasileira
Jesus dialoga com Nicodemos sobre o novo nascimento e explica que a salvação vem pela fé nele, o Filho de Deus enviado ao mundo. Em seguida, João Batista reafirma sua posição de precursor e declara que é necessário que Jesus cresça e ele diminua. O capítulo contém dois blocos: o ensino a Nicodemos e o testemunho final de João Batista.
O Evangelho de João foi escrito provavelmente no final do século I, em um contexto de conflito entre a comunidade cristã e a sinagoga judaica. A autoria é tradicionalmente atribuída ao apóstolo João, filho de Zebedeu, mas estudiosos debatem se o autor foi o próprio apóstolo ou um círculo de discípulos próximos a ele. O livro se dirige a cristãos de origem majoritariamente grega e judaica, com o objetivo explícito de levar o leitor a crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus.
Este capítulo vem logo após a narrativa da purificação do templo (João 2) e antes da conversa com a mulher samaritana (João 4). O diálogo com Nicodemos, um fariseu e membro do Sinédrio, serve para introduzir temas centrais do Evangelho: o novo nascimento, o amor de Deus pelo mundo e o julgamento que a luz traz. A segunda parte do capítulo, com o testemunho de João Batista, ecoa o prólogo do Evangelho (João 1) e prepara a transição para o ministério público de Jesus na Galileia.
A expressão "nascer de novo" (v. 3) pode ser traduzida também como "nascer do alto", pois o grego anōthen tem ambos os sentidos. Essa ambiguidade é intencional: Nicodemos entende no sentido literal de um novo nascimento físico, enquanto Jesus fala de um nascimento espiritual vindo de Deus. A referência à serpente levantada por Moisés (v. 14) remete a Números 21, onde os israelitas eram curados ao olhar para uma serpente de bronze; Jesus compara sua própria crucificação a esse símbolo de salvação.
O versículo 16, "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito...", é um dos mais conhecidos da Bíblia e frequentemente citado como resumo do evangelho. No contexto do capítulo, ele faz parte do discurso de Jesus a Nicodemos sobre a necessidade de crer no Filho para ter vida eterna, contrastando com o julgamento que já recai sobre quem rejeita a luz. O versículo não está isolado como uma promessa genérica; ele conclui a argumentação sobre a missão salvífica de Jesus.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).