Isaías 5 · TB
Tradução Brasileira
Deus, por meio de Isaías, canta uma canção sobre sua vinha, Israel, que esperava justiça mas produziu opressão. Em seguida, o profeta anuncia uma série de ais contra os pecados de Judá, como a ganância, a embriaguez e a inversão de valores. O capítulo termina com o anúncio do juízo divino, em que nações distantes são convocadas para executar a sentença.
Isaías profetizou em Judá durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (século VIII a.C.), num período de prosperidade econômica e crescente injustiça social. O livro reúne oráculos de julgamento e de esperança, e o capítulo 5 faz parte da primeira seção (capítulos 1 a 12), que denuncia a corrupção do povo e anuncia o juízo iminente.
O capítulo começa com uma parábola (a vinha) que retoma a imagem da videira, símbolo clássico de Israel (cf. Sl 80; Is 3,14). Nos versículos 1 a 7, Deus é apresentado como o agricultor que cuidou de sua vinha, mas ela só produziu frutos ruins. A aplicação é direta: Israel e Judá são a vinha; a justiça esperada se tornou opressão e clamor dos pobres. Essa parábola prepara o terreno para a lista de seis “ais” que se segue (vv. 8-23), cada um denunciando um pecado específico: ganância imobiliária, embriaguez, desafio a Deus, inversão de valores, auto-suficiência e corrupção judicial.
O termo “jeira” (v. 10) era uma medida de área equivalente ao que uma junta de bois lavrava num dia. Um “bato” era cerca de 22 litros, e um “efa” era a mesma medida. A ideia é que o esforço agrícola renderia uma colheita miserável, sinal da maldição divina. O “Sheol” (v. 14) é o mundo dos mortos no pensamento hebraico, frequentemente personificado como uma criatura de boca aberta que engole os ímpios.
O versículo 20 (“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal”) é frequentemente citado fora de seu contexto original para criticar qualquer relativismo moral. No texto, ele faz parte de uma série de ais que visam especificamente a elite de Judá, que invertia os valores divinos ao justificar a opressão e a corrupção. O contexto imediato mostra que essa inversão ética está ligada à injustiça social e à embriaguez dos líderes, e não a um debate filosófico abstrato.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).