Isaías 14 · TB
Tradução Brasileira
Isaías 14 anuncia o fim do opressor da Babilônia e a restauração de Israel. O profeta entoa uma parábola de zombaria contra o rei babilônico, descrevendo sua queda do poder e descida ao Sheol, seguida por oráculos contra a Assíria e a Filístia.
Isaías profetizou em Judá durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (século VIII a.C.). Este capítulo faz parte de uma seção de oráculos contra as nações (Isaías 13-23). O capítulo anterior anunciava a ruína da Babilônia, e agora Isaías desenvolve essa profecia com uma "parábola" (termo hebraico que pode significar sátira ou cântico de zombaria) contra o rei da Babilônia.
A passagem dos versículos 12-15, que descreve a ambição de subir ao céu e ser semelhante ao Altíssimo, é frequentemente citada fora de contexto como referência à queda de Satanás. No entanto, no contexto imediato, o texto fala do rei da Babilônia, um ser humano que se orgulha excessivamente. A linguagem poética de "estrela radiante, filho da alva" (em hebraico, Hêlêl ben Shahar) alude provavelmente a mitologias cananeias sobre deuses astrais, usada para ridicularizar a pretensão divina do monarca babilônico. A interpretação cristã posterior viu nesses versos uma descrição da queda de Lúcifer, mas o sentido original é claramente histórico e político.
O rei da Babilônia é retratado como um tirano que oprimia as nações, e sua queda é descrita com imagens de humilhação completa: seu corpo é deixado insepulto, ao contrário dos outros reis que têm túmulos honrados. A referência ao Sheol (o mundo dos mortos) reflete a crença hebraica em um lugar subterrâneo para onde todos os mortos descem, onde reis caídos são recebidos com escárnio.
A partir do versículo 28, o capítulo muda de tema, trazendo um oráculo contra a Filístia, datado do ano da morte do rei Acaz (c. 715 a.C.). A "vara que te feria" pode referir-se à derrota imposta pelos filisteus, mas o aviso contra o regozijo alerta que surgirão inimigos ainda piores (simbolizados por serpentes venenosas). A conclusão reafirma que Sião, o monte do templo em Jerusalém, é o lugar de refúgio estabelecido por Deus para seu povo.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).