Hebreus 12 · TB
Tradução Brasileira
Hebreus 12 exorta os crentes a correrem com perseverança a carreira proposta, fixando os olhos em Jesus, e a suportarem a disciplina divina como prova de filiação. O capítulo contrasta o antigo monte Sinai, que inspirava terror, com o novo monte Sião, a Jerusalém celestial, onde os crentes já chegaram por meio de Jesus, o Mediador da nova aliança.
Hebreus é uma carta de autoria incerta, possivelmente escrita por Paulo, Barnabé, Apolo ou outro líder próximo a Paulo, entre os anos 60 e 70 d.C. O destino são cristãos judeus que enfrentavam perseguição e tentação de abandonar a fé em Cristo para retornar ao judaísmo. O autor argumenta que Jesus é superior a anjos, a Moisés e ao sacerdócio levítico, e que a nova aliança substitui a antiga.
O capítulo 12 conclui a seção de exortação iniciada no capítulo 10, que encoraja a perseverança na fé. Nos capítulos 11 e 12, o autor apresenta exemplos de fé do passado (capítulo 11) e aplica esses exemplos aos leitores, chamando-os a correr com perseverança e a aceitar a disciplina como filhos de Deus. O capítulo prepara para as exortações finais sobre a vida comunitária e a fidelidade no capítulo 13.
O autor usa a imagem dos atletas gregos que corriam nus (daí a necessidade de "deixar de lado todo impedimento") e dos espectadores que os encorajavam, chamados de "testemunhas". A palavra "disciplina" (paidéia) no versículo 5 refere-se à educação e formação de filhos, não a castigo punitivo, e ecoa Provérbios 3. O contraste entre o monte Sinai e o monte Sião (versículos 18-24) reflete a teologia da nova aliança: o Sinai representa a lei dada com medo e distância, enquanto Sião representa a graça e o acesso direto a Deus por meio de Cristo.
O versículo 14, "segui a paz com todos e aquela santificação sem a qual ninguém verá ao Senhor", é frequentemente citado para defender que a santificação é uma condição para a salvação final. No contexto do capítulo, a santificação não é uma obra meritória, mas o resultado da disciplina divina que conforma o crente à santidade de Deus (versículo 10). O autor enfatiza que a perseverança e a pureza são frutos da graça, não da força humana, como indicam os versículos 15 e 28.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).