Gênesis 1 · TB
Tradução Brasileira
Gênesis 1 narra a criação do céu e da terra por Deus em seis dias, culminando com a criação do ser humano à sua imagem. O capítulo estabelece o início da história bíblica, descrevendo a ordenação do caos primordial em um mundo habitável e bom.
A autoria de Gênesis é tradicionalmente atribuída a Moisés, embora estudiosos modernos debatam se o livro foi compilado a partir de múltiplas fontes orais e escritas ao longo de séculos. A data de composição é disputada: a visão tradicional a situa no segundo milênio a.C., enquanto a crítica bíblica sugere uma redação final por volta do século VI ou V a.C., durante ou após o exílio babilônico. O livro foi escrito para o povo de Israel, para afirmar sua identidade e fé em um único Deus criador, em contraste com as cosmogonias politeístas vizinhas.
Este capítulo é a abertura de toda a Bíblia, servindo de prólogo para a história que se seguirá. Ele estabelece o cenário: Deus como Criador soberano, a bondade intrínseca da criação e o lugar especial do ser humano. O capítulo prepara o leitor para os eventos subsequentes, como a queda (capítulo 3) e o chamado de Abraão (capítulo 12), onde o relacionamento entre Deus e a humanidade se desenvolve em meio a um mundo criado por Ele.
Um detalhe cultural importante é a expressão "firmamento" (v. 6-8), que no hebraico "raqia" descreve algo como uma abóbada sólida ou expansão, uma concepção antiga do céu como uma barreira que separava as águas de cima (chuva) das de baixo (fontes e mares). O leitor moderno pode interpretar isso como uma descrição poética ou fenomenológica, não necessariamente científica, refletindo a visão de mundo dos autores bíblicos. O termo "abismo" (v. 2) remete ao caos aquático primordial, que em mitos vizinhos era personificado como um deus, mas aqui é submetido ao poder criador de Deus.
O versículo 26, "Façamos o homem à nossa imagem", é frequentemente citado fora de contexto para debater a doutrina da Trindade. No contexto do capítulo, o plural "Façamos" é interpretado de maneiras diversas: alguns estudiosos veem como um plural majestático ou de deliberação divina, outros como referência à corte celestial de anjos, e cristãos frequentemente o entendem como uma alusão à Trindade. O texto foca na criação do ser humano como representante de Deus na terra, com domínio sobre a criação, um conceito conhecido como "imago Dei".
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).