Êxodo 1 · TB
Tradução Brasileira
O livro de Êxodo começa descrevendo como os descendentes de Jacó se multiplicaram no Egito depois da morte de José. Um novo faraó, que não conhecia José, escraviza os israelitas e ordena o assassinato de seus bebês do sexo masculino, mas as parteiras hebreias desobedecem à ordem.
Êxodo é o segundo livro da Torá (Pentateuco) e dá continuidade à história de Gênesis. A tradição judaico-cristã atribui sua autoria a Moisés, embora estudiosos modernos debatam se o livro foi composto a partir de fontes orais e escritas ao longo de séculos, com redação final possivelmente no período do exílio babilônico (século VI a.C.). O livro narra a libertação dos israelitas da escravidão no Egito, sua aliança com Deus no monte Sinai e a jornada rumo a Canaã.
Este capítulo funciona como prólogo de todo o livro. Ele conecta o fim de Gênesis, onde José trouxe sua família para o Egito em tempos de fome, com a situação de opressão que desencadeia a saída do Egito. A informação de que "surgiu um novo rei que não conhecia José" indica uma mudança de dinastia ou de política no Egito, possivelmente após a expulsão dos hicsos (povo semita que governou o Egito por volta de 1650-1540 a.C.), levando os egípcios nativos a ver os israelitas como uma ameaça estrangeira.
As cidades de Pitom e Ramessés mencionadas no versículo 11 são provavelmente as cidades egípcias de Per-Atum e Pi-Ramessés, construídas ou ampliadas durante o reinado de Ramsés II (1279-1213 a.C.). Essa informação é usada por muitos estudiosos para datar o êxodo por volta do século XIII a.C., embora essa seja uma questão debatida. O nome "Ramessés" teria sido anacrônico se o texto tivesse sido escrito antes da XIX dinastia, o que para alguns indica que a forma atual do relato foi escrita ou editada mais tarde.
O versículo 16, com a ordem de Faraó às parteiras para matar os meninos hebreus "ao vê-los sobre os assentos", refere-se a um assento de parto, um tijolo ou banquinho usado pelas mulheres no Oriente Antigo para dar à luz. As parteiras Sifrá e Puá têm nomes semíticos, o que sugere que eram hebreias ou, ao menos, não egípcias. O versículo 21 diz que Deus "lhes estabeleceu as casas", uma expressão que pode significar que lhes deu famílias numerosas ou descendência, como recompensa por sua obediência a Deus em vez de ao faraó.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).