Apocalipse 8 · TB
Tradução Brasileira
João vê a abertura do sétimo selo, que introduz uma sequência de sete trombetas. Quatro dessas trombetas são tocadas, trazendo pragas sobre a terra, o mar, as águas doces e os corpos celestes. O capítulo termina com um anúncio de ai sobre os habitantes da terra por causa das três trombetas restantes.
O livro do Apocalipse foi escrito por João, provavelmente durante o exílio na ilha de Patmos, no final do reinado do imperador Domiciano (cerca de 95 d.C.). A tradição cristã identifica o autor como o apóstolo João, mas essa atribuição é disputada por alguns estudiosos, que veem diferenças de estilo e teologia em relação ao Evangelho de João. A carta é endereçada a sete igrejas na província romana da Ásia, atual Turquia, e visa encorajar os cristãos que enfrentam perseguição e pressão para adorar o imperador.
Este capítulo dá continuidade à visão dos selos, iniciada no capítulo 6. O sétimo selo, que deveria encerrar a sequência, não traz juízo imediato, mas um silêncio no céu que dura cerca de meia hora. Esse silêncio funciona como uma pausa solene antes de uma nova série de juízos, as sete trombetas. As trombetas ecoam as pragas do Egito em Êxodo, mas são ampliadas em escala e intensidade, atingindo um terço da criação, não sua totalidade. Isso sugere que os juízos são parciais e progressivos, oferecendo espaço para arrependimento.
O turíbulo de ouro e o incenso misturado às orações dos santos fazem alusão ao serviço do templo de Jerusalém. No Antigo Testamento, o incenso queimado no altar representava as orações do povo subindo a Deus (Salmo 141.2). Aqui, o anjo lança fogo do altar sobre a terra, indicando que as orações dos mártires (que pediam justiça em Apocalipse 6.10) são respondidas com juízo.
A estrela chamada Absinto, que cai sobre as águas, é frequentemente citada fora de contexto como uma previsão de desastre ambiental ou guerra química. No entanto, no contexto judaico do primeiro século, o absinto era uma planta amarga associada à idolatria e ao castigo divino em passagens como Jeremias 9.15 e 23.15. A imagem é simbólica e aponta para a amargura do juízo de Deus, não para um evento científico específico.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).