Jonas 2 · NVI
Nova Versão Internacional
No capítulo 2, Jonas ora a Deus de dentro do grande peixe, expressando seu desespero e gratidão pelo livramento. Esta oração de ação de graças ocorre após ele ter sido engolido, e o capítulo termina com o peixe vomitando Jonas em terra seca.
O livro de Jonas é uma narrativa profética que se destaca entre os profetas menores por seu caráter de história, em vez de coleção de oráculos. A autoria é disputada: a tradição judaica e cristã antiga atribui o livro ao próprio Jonas, profeta do século VIII a.C. mencionado em 2 Reis 14:25, mas muitos estudiosos modernos sugerem uma data posterior, talvez no período pós-exílico (séculos V-IV a.C.), devido ao seu estilo de linguagem e temas teológicos. O livro foi escrito para o povo de Israel, provavelmente para confrontar atitudes de exclusivismo étnico e relutância em aceitar a misericórdia divina para com os gentios.
O capítulo 2 é uma pausa na ação narrativa. No capítulo 1, Jonas foge da ordem de Deus, é lançado ao mar pelos marinheiros e engolido por um grande peixe. Aqui, ele ora. A oração não descreve um pedido de livramento imediato, mas sim uma ação de graças antecipada, como se o livramento já tivesse ocorrido. Ela é composta por trechos e ecos de salmos de lamento e ação de graças (especialmente Salmos 42, 69, 88, 130). O capítulo prepara o terreno para o capítulo 3, em que Jonas finalmente obedece e prega em Nínive.
Um detalhe importante de linguagem e cultura: a oração de Jonas é chamada de "oração" (v. 1) e ele "clamou" e "gritou", mas o conteúdo é predominantemente de ação de graças, não de petição. O "Sheol" (v. 2) é o termo hebraico para o lugar dos mortos, indicando que Jonas se via à beira da morte. As expressões "fundamentos dos montes" e "ferrolhos da terra" (v. 6) são imagens poéticas do mundo subterrâneo, como o abismo ou o sepulcro. A referência ao "templo santo" (v. 4, 7) reflete a crença de que o templo em Jerusalém era o lugar da presença de Deus, de onde ele ouve as orações.
O versículo 8, "Os que observam vaidades mentirosas abandonam aquele que lhes é misericordioso", é frequentemente citado fora de contexto como uma declaração geral sobre idolatria. No contexto do capítulo, porém, ele faz parte da oração de Jonas, contrastando os idólatras (que abandonam a Deus) com o próprio Jonas, que, mesmo em sua desobediência, reconhece que a salvação vem do Senhor (v. 9). A fala não é uma condenação direta de Nínive ou dos marinheiros, mas uma expressão do compromisso pessoal de Jonas com Deus.
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