Isaías 45 · NVI
Nova Versão Internacional
Deus declara que ungiu Ciro, rei persa, para libertar Israel e reconstruir Jerusalém, ainda que Ciro não o conheça. O capítulo afirma a soberania divina sobre todas as nações e contrasta o Deus único com os ídolos impotentes. Isaías conclui com um convite universal para que todos os confins da terra se voltem a Deus e sejam salvos.
O livro de Isaías é atribuído ao profeta Isaías, que atuou em Judá durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (século VIII a.C.). No entanto, a partir do capítulo 40, muitos estudiosos entendem que a profecia se dirige a um público que já está no exílio babilônico (século VI a.C.), embora a tradição mantenha a autoria única de Isaías. Este capítulo está inserido na seção conhecida como "Livro da Consolação" (capítulos 40–55), que anuncia a libertação do povo exilado por meio de Ciro, o rei persa que conquistou a Babilônia em 539 a.C. e permitiu o retorno dos judeus.
No contexto do livro, Isaías 45 segue a declaração de que Ciro é o "ungido" (messias) de Deus, um título surpreendente reservado a um rei pagão. O capítulo reafirma que Deus usa instrumentos humanos, mesmo incrédulos, para cumprir seus propósitos. A discussão sobre a soberania de Deus e a futilidade dos ídolos prepara o terreno para o convite final à salvação, que ecoa em todo o capítulo.
Um detalhe cultural importante é o nome "Ciro", que é mencionado explicitamente no versículo 1. Isso é notável porque a profecia foi escrita antes do nascimento de Ciro, segundo a cronologia tradicional. Os críticos históricos argumentam que a menção precisa do nome indica que o texto foi escrito após os eventos, mas os intérpretes que defendem a autoria única de Isaías veem isso como uma demonstração do conhecimento prévio de Deus sobre a história.
O versículo 7, "Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal", é frequentemente citado em debates sobre a origem do mal. No contexto, "mal" (hebraico *ra*) não se refere ao pecado moral, mas a calamidades ou desastres (como guerra ou fome), em contraste com a "paz" (*shalom*). O versículo afirma a soberania de Deus sobre todas as esferas da vida, incluindo os eventos adversos, sem implicar que Deus cause o mal moral. A frase "todo joelho se dobrará" (versículo 23) é citada por Paulo em Romanos 14.11 e Filipenses 2.10 para descrever a submissão universal a Cristo, ampliando o sentido original para incluir o reconhecimento de Jesus como Senhor.
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