Gênesis 18 · NVI
Nova Versão Internacional
Deus aparece a Abraão na forma de três visitantes e anuncia que Sara terá um filho, apesar da idade avançada do casal. Sara ri da promessa, e o Senhor a repreende, reafirmando que nada é impossível para ele. Os visitantes partem em direção a Sodoma, e Abraão intercede pela cidade, negociando com Deus a possibilidade de poupá-la se houver justos nela.
Gênesis 18 é parte do ciclo de Abraão, que começa em Gênesis 12. No capítulo anterior, 17, Deus estabeleceu a circuncisão como sinal da aliança e mudou o nome de Abrão para Abraão e de Sarai para Sara, prometendo que ela daria à luz um filho. Aqui, a promessa é reiterada de forma concreta, com a visita de três homens, um dos quais é identificado como o próprio Senhor (Javé). O capítulo prepara o julgamento de Sodoma e Gomorra, narrado no capítulo 19, e mostra o papel de Abraão como intercessor.
A autoria de Gênesis é tradicionalmente atribuída a Moisés, mas a crítica moderna identifica fontes diversas, como a tradição javista (J) e a eloísta (E), que foram combinadas ao longo do tempo. O capítulo 18 é geralmente associado à fonte javista, que usa o nome divino Javé e tem um estilo narrativo vívido. A data de composição do livro é disputada: a visão tradicional situa-o no segundo milênio a.C., enquanto a crítica sugere os séculos X a V a.C.
A cena dos três visitantes reflete costumes de hospitalidade no Antigo Oriente Próximo. Abraão oferece água para lavar os pés, sombra e uma refeição, gestos esperados de um chefe de clã para com viajantes. O "leite azedo" (versículo 8) é um iogurte ou coalhada, alimento comum em regiões áridas. A localização, os terebintos de Manre, perto de Hebrom, era um local de culto cananeu, o que pode indicar que o santuário ali foi posteriormente associado a Abraão.
O versículo 14, "Há, porventura, alguma coisa que seja demasiadamente difícil a Javé?", é frequentemente citado para afirmar o poder de Deus. No contexto, porém, a pergunta é uma resposta direta à incredulidade de Sara, que riu da promessa por causa de sua idade avançada e da de Abraão. O capítulo enfatiza que o cumprimento da promessa depende exclusivamente da fidelidade divina, não da capacidade humana.
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