Salmos 1 · NAA
Nova Almeida Atualizada
O Salmo 1 abre o Saltério contrastando dois caminhos: o do justo, que medita na lei de Deus e prospera, e o do ímpio, que é como palha levada pelo vento. Este salmo serve como portal para todo o livro, estabelecendo o tema da escolha entre a sabedoria e a tolice.
O Saltério é uma coleção de 150 cânticos e orações, compilados ao longo de séculos, tradicionalmente associados ao rei Davi, mas com contribuições de vários autores, como Asafe, os filhos de Corá, Salomão e Moisés. O Salmo 1 não tem título ou atribuição de autoria, o que é comum nos salmos que funcionam como introdução. Ele provavelmente foi colocado no início da coleção por um editor pós-exílico, por volta do século V a.C., para orientar a leitura de todo o livro.
Este salmo funciona como uma porta de entrada teológica para os Salmos. Ele contrasta dois modos de vida: o justo, que encontra prazer na Torá (a lei ou instrução de Deus) e medita nela constantemente, e o ímpio, que segue conselhos errados e se associa com escarnecedores. A imagem da árvore plantada junto a correntes de água é uma metáfora de estabilidade e fecundidade, comum no Antigo Oriente Próximo, onde a irrigação era vital. Já a moinha (palha seca) simboliza instabilidade e falta de valor.
A menção à 'lei de Jeová' não se refere apenas aos mandamentos, mas a todo o ensino divino revelado, especialmente a Torá de Moisés. Meditar 'de dia e de noite' indica um compromisso contínuo e interiorizado, não apenas uma leitura superficial. O juízo mencionado no versículo 5 não é necessariamente o juízo final, mas pode se referir a qualquer momento de decisão divina na história, onde os justos são vindicados e os ímpios excluídos da congregação.
O versículo 6 é frequentemente citado fora de contexto para sugerir que Deus 'conhece' os justos no sentido de aprovação e intimidade, mas 'conhecer' no hebraico (yada) implica um relacionamento pessoal e comprometido. O caminho dos ímpios 'perecerá', indicando não aniquilação, mas fracasso e ruína. Este salmo não ensina prosperidade material automática para os justos, mas uma bênção integral que inclui estabilidade e propósito, contrastando com a falta de fundamento dos ímpios.
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