Neemias 8 · NAA
Nova Almeida Atualizada
No sétimo mês, o povo se reúne em Jerusalém e pede que Esdras leia a Lei de Moisés. A leitura pública, acompanhada de explicação, provoca choro e arrependimento, mas Neemias e Esdras os exortam à alegria. Em seguida, o povo descobre a ordenança da Festa dos Tabernáculos e a celebra com grande regozijo.
O livro de Neemias é uma continuação da história de Esdras e provavelmente foi compilado pelo mesmo autor (o Cronista), embora parte da narrativa venha das memórias pessoais de Neemias. O capítulo 8 ocorre depois da conclusão dos muros de Jerusalém (Neemias 6) e do registro das famílias que retornaram (Neemias 7). Agora a atenção se volta para a restauração espiritual: o povo, já seguro fisicamente, busca a instrução da Lei.
A cena acontece no primeiro dia do sétimo mês (Tisri), que no calendário judaico era a Festa das Trombetas (Lv 23.24-25), um dia santo de convocação. Esdras, que havia chegado a Jerusalém treze anos antes (Esdras 7), aparece aqui pela primeira vez no livro de Neemias. Ele lê de um estrado de madeira, e os levitas ajudam a explicar o texto, prática que mostra que o hebraico já não era mais a língua cotidiana de todo o povo (muitos falavam aramaico). A expressão "deram o sentido" (v. 8) provavelmente se refere à tradução e interpretação do texto.
O choro do povo ao ouvir a Lei reflete a consciência de ter desobedecido a Deus, mas os líderes ordenam que o dia santo seja de alegria, não de luto. A ordem de enviar porções aos que não têm nada preparado (v. 10) é um eco de Deuteronômio 16.11-14, que associa a celebração à generosidade. A expressão "a alegria de Jeová é a vossa fortaleza" (v. 10) é frequentemente citada fora de contexto como um lema genérico de encorajamento; no contexto, ela se refere especificamente à alegria ordenada naquele dia santo, como força para o povo recomeçar a aliança.
A Festa dos Tabernáculos (Sucot) era uma das três festas de peregrinação, que comemorava a proteção de Deus durante a peregrinação no deserto. O texto diz que não era celebrada assim desde os dias de Josué (v. 17), o que indica que, embora a festa fosse observada, a confecção de cabanas com ramos e a habitação nelas haviam caído em desuso. A celebração por sete dias, com leitura diária da Lei, e a assembleia solene no oitavo dia seguem as instruções de Levítico 23.33-43.
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