João 4 · NAA
Nova Almeida Atualizada
Jesus conversa com uma mulher samaritana junto ao poço de Jacó, revela-se como o Messias e muitos samaritanos creem nele. Depois, em Caná da Galileia, cura à distância o filho de um oficial do rei, seu segundo milagre na região.
O capítulo 4 do Evangelho de João é parte do que muitos estudiosos chamam de 'Livro dos Sinais' (capítulos 2 a 12), onde Jesus realiza milagres que apontam para sua identidade divina. O autor é tradicionalmente identificado como João, filho de Zebedeu, embora a autoria seja disputada entre estudiosos; a data de composição costuma ser situada no final do século I d.C. O evangelho foi escrito para uma comunidade cristã que já conhecia os outros evangelhos sinóticos, com o propósito explícito de levar os leitores a crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus (João 20,30-31).
O capítulo começa com Jesus deixando a Judeia e passando pela Samaria, uma região historicamente hostil aos judeus. A conversa com a mulher samaritana quebra várias barreiras sociais e religiosas da época: judeus não se associavam com samaritanos (v.9), e um homem não deveria falar em público com uma mulher que não fosse da família (v.27). A referência ao poço de Jacó (v.6) e ao monte onde os samaritanos adoravam (v.20) situa a narrativa em um contexto de rivalidade entre judeus e samaritanos sobre o local correto de adoração, disputa que Jesus transcende ao falar de adoração 'em espírito e em verdade' (v.23-24).
Após o encontro com a samaritana, o capítulo narra a cura do filho de um oficial do rei em Cafarnaum. Este episódio é o segundo sinal de Jesus na Galileia (v.54), seguindo a transformação da água em vinho em Caná (João 2,1-11). O oficial acredita na palavra de Jesus antes mesmo de ver a cura, contrastando com a afirmação de Jesus no v.48 de que os galileus precisam ver milagres para crer. A narrativa enfatiza a fé que nasce da palavra de Jesus, não apenas dos sinais visíveis.
Um trecho frequentemente citado fora de seu contexto original é João 4,24 ('Deus é espírito; e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade'). Muitas vezes é usado para defender uma adoração 'interior' em oposição a rituais externos, mas no contexto imediato Jesus está respondendo a uma pergunta sobre o local geográfico da adoração (monte Gerizim versus Jerusalém), e não negando a importância de práticas comunitárias ou litúrgicas. A ênfase está na atitude do coração e na verdade revelada em Jesus, não em um lugar específico.
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