✧“Eis que os meus olhos viram tudo isso, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam. ✧2O que vocês sabem eu também sei; em nada sou inferior a vocês. ✧3Mas falarei ao Todo-Poderoso e quero defender-me diante de Deus. ✧4Vocês, porém, cobrem a verdade com mentiras; todos vocês são médicos que não valem nada. ✧5Quem dera vocês ficassem completamente calados! Vocês poderiam passar por sábios!” ✧6“Ouçam agora a minha defesa e prestem atenção aos argumentos dos meus lábios. ✧7Será que vão dizer perversidades em favor de Deus? Vão dizer mentiras a favor dele? ✧8Serão parciais por ele? Argumentarão a favor de Deus? ✧9Por acaso, seria bom se ele os examinasse? Ou vocês zombariam dele, como zombam das pessoas? ✧10Ele certamente os repreenderá, se em oculto forem parciais. ✧11A grandeza dele não os amedrontaria? E o terror dele não cairia sobre vocês? ✧12As máximas de vocês são provérbios de cinza; as defesas de vocês são muralhas de barro.” ✧13“Calem-se diante de mim, e eu falarei; que venha sobre mim o que vier. ✧14Tomarei a minha carne nos meus dentes e porei a minha vida nas minhas mãos. ✧15Eis que ele me matará, já não tenho esperança; mesmo assim defenderei a minha conduta diante dele. ✧16Também isto será a minha salvação: o fato de um ímpio não comparecer diante dele. ✧17Ouçam com atenção as minhas palavras e escutem a minha exposição. ✧18Tenho já bem-encaminhada minha causa e estou certo de que serei justificado.” ✧19“Quem há que possa entrar em litígio comigo? Se houver, eu fico calado e morro. ✧20Concede-me somente duas coisas, ó Deus, e assim não me esconderei de ti: ✧21tira a tua mão de cima de mim, e não me amedronte o teu terror.” ✧22“Interpela-me, e eu responderei; ou deixa-me falar, e tu responderás. ✧23Quantas culpas e pecados tenho eu? Mostra-me a minha transgressão e o meu pecado.” ✧24“Por que escondes o teu rosto e me consideras teu inimigo? ✧25Queres aterrorizar uma folha levada pelo vento? E perseguirás a palha seca?” ✧26“Pois decretas contra mim coisas amargas e me atribuis as culpas da minha mocidade. ✧27Também prendes os meus pés com correntes, observas todos os meus caminhos e traças limites à planta dos meus pés, ✧28apesar de eu ser como uma coisa podre que se consome e como a roupa que é comida pela traça.”