Isaías 6 · NAA
Nova Almeida Atualizada
Isaías relata sua visão da glória de Deus no templo, sua purificação por um serafim e seu chamado como profeta. Ele recebe a missão de anunciar ao povo de Judá que, apesar da mensagem, eles não entenderão nem se arrependerão, e que o juízo virá até que reste apenas um remanescente santo, como o tronco de uma árvore derrubada. Este capítulo marca a vocação do profeta Isaías e ocorre no início de seu ministério, no ano da morte do rei Uzias.
O livro de Isaías como um todo é atribuído ao profeta Isaías, filho de Amoz, que profetizou em Judá durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (século VIII a.C.). A visão do capítulo 6 é tradicionalmente entendida como a experiência de chamado e comissionamento do profeta, embora sua posição no livro (capítulo 6, não no início) seja incomum. Alguns estudiosos sugerem que o capítulo foi colocado aqui para servir como uma espécie de prólogo teológico ou para explicar a rejeição da mensagem profética que já foi anunciada nos capítulos anteriores. Outros veem a data, o ano da morte do rei Uzias (c. 740 a.C.), como o início histórico do ministério de Isaías.
Nos capítulos 1 a 5, Isaías já havia proclamado juízo contra Judá por sua rebelião, injustiça e idolatria, e anunciado um futuro de restauração. O capítulo 6, portanto, não introduz a mensagem do profeta, mas sim revela a fonte de sua autoridade e o conteúdo paradoxal de sua missão: ele deverá pregar de tal forma que o povo se torne ainda mais insensível, cumprindo o juízo de Deus. A visão do templo celeste, com serafins, fogo e glória, ecoa a liturgia do templo de Jerusalém, mas a traslada para o céu, mostrando que o verdadeiro Rei está acima de qualquer rei terreno. A purificação dos lábios de Isaías com uma brasa viva do altar sublinha a necessidade de santidade para quem fala em nome de Deus.
A imagem dos serafins, descritos com seis asas, é exclusiva deste capítulo na Bíblia. A palavra “serafim” pode estar relacionada a uma raiz hebraica que significa “queimar”, sugerindo criaturas de fogo ou brilho. O fato de cobrirem o rosto e os pés indica reverência e humildade diante da santidade divina. O altar de onde a brasa é tirada provavelmente é o altar de incenso ou o altar dos holocaustos; em ambos os casos, a brasa é um instrumento de purificação e consagração.
O versículo 9, sobre “ouvir e não entender, ver e não perceber”, é citado no Novo Testamento por Jesus (Mateus 13,14-15), Paulo (Atos 28,26-27) e João (João 12,39-40) para explicar a incredulidade do povo diante do Evangelho. Fora de seu contexto em Isaías, o trecho é frequentemente usado para falar de uma dureza de coração geral, mas no original ele faz parte de uma comissão específica a Isaías: o próprio Deus ordena que o profeta anuncie uma mensagem que, propositalmente, endurecerá o povo como parte do juízo. A pergunta de Isaías “Até quando?” (versículo 11) recebe a resposta de que o juízo durará até a devastação total, mas o versículo 13 termina com uma nota de esperança: o tronco da árvore derrubada, a “santa semente”, é o remanescente de Israel que sobreviverá.
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