Isaías 46 · NAA
Nova Almeida Atualizada
Neste capítulo, Isaías contrasta a impotência dos deuses da Babilônia, Bel e Nebo, que são levados ao cativeiro, com o poder de Deus, que carrega Israel desde o ventre materno e promete salvá-lo. Deus desafia o povo a lembrar-se de que só Ele anuncia o fim desde o princípio e cumpre seus propósitos.
Isaías 46 faz parte da seção de Isaías que muitos estudiosos chamam de "Segundo Isaías" (capítulos 40-55), dirigida ao povo de Judá exilado na Babilônia no século VI a.C. O profeta, ou um círculo de discípulos, anuncia consolo e libertação, preparando o caminho para o retorno a Jerusalém. A autoria exata é disputada: a tradição atribui todo o livro a Isaías, filho de Amoz, do século VIII a.C., mas muitos estudiosos modernos veem aqui uma voz profética do período exílico, por causa da referência ao rei persa Ciro (capítulo 45) e da situação histórica descrita.
O capítulo vem logo depois de Isaías 45, onde Deus anuncia que ungirá Ciro, rei da Pérsia, para libertar Israel e reconstruir Jerusalém. Em Isaías 46, o profeta aprofunda o contraste entre o Deus vivo e os ídolos babilônicos, que agora são levados como despojo. A passagem prepara o capítulo 47, que descreve a queda da própria Babilônia. Dentro do livro, Isaías 46 reforça a mensagem de que a salvação de Israel não virá de alianças políticas ou deuses estrangeiros, mas exclusivamente do Deus que criou e carrega seu povo.
Bel e Nebo eram duas das principais divindades da Babilônia. Bel era outro nome para Marduque, o deus patrono da cidade, e Nebo (ou Nabu) era seu filho, deus da sabedoria e da escrita. As estátuas desses deuses eram levadas em procissões cerimoniais. Isaías ironiza essa prática: os ídolos, que os babilônios carregavam com orgulho, agora são uma carga pesada que não pode salvar nem a si mesma, enquanto Deus carrega Israel desde o nascimento até a velhice. A imagem de Deus como aquele que "carrega" (vs. 3-4) ecoa o cuidado contínuo de Javé por seu povo, em contraste com os ídolos que precisam ser transportados por animais e homens.
O versículo 10, "anuncio o fim desde o princípio", é frequentemente citado fora de contexto para afirmar que Deus predetermina cada detalhe da história. No contexto imediato, porém, a frase se refere especificamente à capacidade de Deus de predizer e realizar o plano de libertar Israel por meio de Ciro, em contraste com os ídolos mudos que nada podem anunciar. Não é uma declaração abstrata sobre predestinação, mas uma afirmação da fidelidade de Deus em cumprir suas promessas de salvação.
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