Gênesis 3 · NAA
Nova Almeida Atualizada
Este capítulo narra a queda da humanidade: a serpente engana Eva, que come do fruto proibido e dá a Adão, resultando na entrada do pecado e da morte no mundo. Após o confronto com Deus, vêm as maldições sobre a serpente, a mulher e o homem, e a expulsão do jardim do Éden.
Gênesis 3 é tradicionalmente atribuído a Moisés como parte do livro de Gênesis, escrito para o povo de Israel durante a peregrinação no deserto (c. 1446-1406 a.C.), embora estudiosos modernos debatam uma composição posterior, com fontes como a javista (J) do século X a.C. O capítulo descreve a origem do pecado humano e suas consequências, conectando-se diretamente ao mandamento de Gênesis 2.16-17 e preparando o terreno para a promessa de redenção que percorrerá o restante da Escritura.
A expressão 'conhecendo o bem e o mal' (versículo 22) não se refere a um conhecimento intelectual, mas a uma experiência moral autônoma e à determinação do que é certo ou errado independentemente de Deus. No Antigo Oriente Próximo, o termo 'bem e mal' era uma expressão idiomática que abrangia a totalidade do conhecimento e da sabedoria, algo que os deuses possuíam e os humanos não deveriam usurpar.
A frase 'a semente da mulher te ferirá a cabeça' (versículo 15) é frequentemente citada fora de contexto como uma profecia messiânica isolada. No contexto imediato, ela se refere à hostilidade contínua entre a descendência da serpente (forças do mal) e a descendência da mulher (a humanidade), com a promessa de que um descendente humano um dia derrotará decisivamente a serpente. Interpretações cristãs veem Jesus como o cumprimento dessa promessa, mas o texto original não menciona um salvador específico.
A descrição da serpente falante (versículo 1) reflete um gênero literário comum no antigo Oriente Próximo, onde animais podiam ser porta-vozes de forças sobrenaturais. A serpente não é identificada como Satanás no texto hebraico; essa associação surge apenas em escritos judaicos posteriores (como Sabedoria 2.24) e no Novo Testamento (Apocalipse 12.9). O capítulo encerra com a expulsão do jardim e a instalação dos querubins (seres celestiais guardiões), uma imagem que ecoa a iconografia de templos mesopotâmicos, onde criaturas aladas protegiam espaços sagrados.
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