Efésios 6 · NAA
Nova Almeida Atualizada
Efésios 6 encerra a carta com orientações para as relações domésticas (filhos e pais, escravos e senhores) e conclui com o chamado para se revestir de toda a armadura de Deus, resistindo às forças espirituais do mal. O capítulo também traz um pedido de oração pelo apóstolo Paulo, que está preso, e recomenda Tíquico como portador de notícias.
A autoria de Efésios é disputada. A tradição atribui a carta ao apóstolo Paulo, e muitos estudiosos concordam, datando-a de sua prisão em Roma por volta de 60-62 d.C. Outros, porém, defendem que ela foi escrita por um discípulo de Paulo em seu nome, talvez entre 80 e 90 d.C., devido a diferenças de estilo e vocabulário em relação às cartas consideradas indiscutivelmente paulinas. O destinatário principal são os cristãos de Éfeso, mas a carta tem caráter circular, podendo ter sido enviada a várias igrejas da Ásia Menor.
O capítulo 6 conclui a seção prática da carta, que começou no capítulo 4, após a exposição doutrinária dos capítulos 1 a 3. Nos versículos 1 a 9, Paulo aborda as relações domésticas, seguindo o padrão das chamadas 'tabelas domésticas' (Haustafeln), comuns no mundo greco-romano, mas agora sob a ótica cristã: os filhos devem obedecer 'no Senhor', os pais devem não provocar os filhos, e os escravos devem servir como a Cristo. É importante notar que a carta não questiona a instituição da escravidão, mas humaniza as relações dentro dela, e os senhores são lembrados de que também têm um Senhor no céu.
No contexto cultural, a armadura descrita por Paulo era a do soldado romano, familiar aos leitores: cinto da verdade, couraça da justiça, sandálias do evangelho, escudo da fé, capacete da salvação e espada do Espírito. Essa metáfora enfatiza a luta espiritual contra as 'hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes', conceito que reflete a visão de mundo do apóstolo, que via os cristãos envolvidos em um conflito cósmico. O 'dia mau' (v. 13) pode se referir a tempos de perseguição ou ao mal que está presente no mundo, mas o contexto imediato é a necessidade de resistir às ciladas do diabo.
O versículo 12, sobre a luta não ser contra 'carne e sangue', é muitas vezes citado fora de contexto para justificar a ideia de que os cristãos não devem se opor a injustiças humanas. No entanto, no contexto, Paulo está exortando os crentes a reconhecerem que o verdadeiro inimigo é espiritual, mas isso não nega a existência de oposição humana. O versículo 18, sobre 'orar em todo o tempo no Espírito', também é usado isoladamente, mas na carta ele está ligado à vigilância e à perseverança, e à intercessão por todos os santos e pelo próprio Paulo, que está preso e deseja falar com ousadia.
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