Salmos 73 · ARA
Almeida Revista e Atualizada
O salmista lida com a tentação de invejar os ímpios, que prosperam enquanto ele sofre. Ele descreve sua crise de fé, até que, ao entrar no santuário, compreende o destino final dos perversos. O salmo é um lamento individual que se transforma em afirmação de confiança em Deus.
O Salmo 73 abre o terceiro livro do Saltério, que vai do Salmo 73 ao 89. É um salmo de Asafe, um dos líderes dos levitas encarregados do cântico no templo, conforme registrado em 1 Crônicas 16. A autoria é atribuída a Asafe ou a seus descendentes, e a data provável é o período pós-exílico, quando Israel enfrentava a opressão de impérios estrangeiros e a perplexidade diante da prosperidade dos ímpios.
O salmo pertence ao gênero de sabedoria, pois reflete sobre o problema teológico da prosperidade dos maus e o sofrimento dos justos. Ele se conecta com Jó e com o Eclesiastes ao levantar a mesma questão, mas a solução encontrada é diferente: o salmista não chega a uma resposta racional, mas a uma experiência espiritual no santuário, que lhe dá uma perspectiva eterna. O capítulo prepara o terreno para os salmos seguintes, que também lidam com a crise nacional e a fidelidade de Deus.
Na cultura hebraica, o "santuário" (v. 17) pode se referir ao tabernáculo ou ao templo, lugar da presença divina. O salmista não encontra resposta na reflexão solitária, mas na adoração e na comunidade de fé. A expressão "receberás na glória" (v. 24) é ambígua: pode significar ser recebido na honra divina após a morte, ou simplesmente ser guiado por Deus nesta vida. A interpretação escatológica é comum entre cristãos, mas judeus frequentemente a entendem como uma metáfora para a proximidade com Deus.
O versículo 25, "Quem, senão a ti, tenho eu nos céus? Não há na terra quem eu deseje além de ti", é frequentemente citado fora de contexto como uma declaração de devoção exclusiva. No contexto, porém, ele é a conclusão de um processo doloroso: o salmista só chega a essa afirmação depois de passar pela dúvida, pela inveja e pela crise. A frase não é uma declaração espontânea de piedade, mas o resultado de uma luta interior que o levou a valorizar Deus acima de tudo.
Almeida Revista e Atualizada (ARA). © Sociedade Bíblica do Brasil. Texto protegido por direitos autorais.