Mateus 26 · ARA
Almeida Revista e Atualizada
Mateus 26 narra os eventos que antecedem a crucificação de Jesus: a unção em Betânia, a traição de Judas, a última ceia e a instituição da ceia do Senhor, a agonia no Getsêmani, a prisão de Jesus e o julgamento perante o sumo sacerdote Caifás, culminando na negação de Pedro. Este capítulo marca o início da paixão de Cristo, preparando o leitor para a narrativa da crucificação e ressurreição que se segue.
O Evangelho de Mateus foi escrito para uma comunidade de judeus-cristãos, provavelmente na Síria ou Palestina, entre 70 e 90 d.C. A autoria é tradicionalmente atribuída ao apóstolo Mateus, o cobrador de impostos, mas muitos estudiosos modernos a consideram disputada, sugerindo que o autor foi um judeu-cristão anônimo que usou o Evangelho de Marcos como fonte. O capítulo 26 situa-se na seção final do evangelho, que narra a paixão e ressurreição de Jesus. Antes dele, no capítulo 25, Jesus concluiu seu discurso escatológico sobre o fim dos tempos e o juízo final. O capítulo 26 prepara o cenário para a crucificação, que ocorre no capítulo 27.
A unção de Jesus em Betânia (versículos 6-13) é um episódio que aparece também em Marcos 14 e João 12. O perfume de alabastro era um item extremamente valioso, equivalente a quase um ano de salário de um trabalhador comum. A indignação dos discípulos reflete uma preocupação legítima com os pobres, mas Jesus interpreta o gesto como uma antecipação de seu sepultamento, já que naquele tempo os corpos eram ungidos com perfumes e óleos antes do sepultamento. A afirmação de Jesus sobre os pobres (versículo 11) é frequentemente citada fora de contexto para justificar a indiferença social, mas no contexto original ele está citando Deuteronômio 15.11, que exige cuidado generoso com os pobres, e não desprezo por eles.
A última ceia (versículos 17-30) é celebrada durante a Páscoa judaica, que recorda a libertação do Egito. O "primeiro dia dos Pães Asmos" (versículo 17) refere-se ao início da festa de sete dias que começava com a refeição da Páscoa. A instituição do pão e do cálice como o corpo e o sangue de Jesus estabelece a nova aliança, um tema central para a comunidade cristã primitiva. A palavra "aliança" (versículo 28) ecoa a aliança do Sinai em Êxodo 24.8, mas agora ligada ao derramamento de sangue para remissão de pecados, indicando uma nova relação entre Deus e seu povo.
A oração no Getsêmani (versículos 36-46) e a prisão (versículos 47-56) revelam a humanidade de Jesus, que enfrenta angústia e submissão à vontade do Pai. O "cálice" (versículo 39) é uma metáfora comum no Antigo Testamento para o sofrimento e o juízo divino (Salmo 75.8; Isaías 51.17). O beijo de Judas (versículo 49) era um sinal de saudação comum entre mestre e discípulo, mas aqui se torna um gesto de traição. O julgamento perante o Sinédrio (versículos 57-68) era um conselho de setenta e um líderes religiosos, que segundo a lei judaica não poderia condenar alguém à morte à noite ou durante uma festa, o que mostra a pressa e a irregularidade do processo. A negação de Pedro (versículos 69-75) cumpre a profecia de Jesus e destaca a fragilidade dos discípulos, preparando o contraste com a restauração que ocorrerá após a ressurreição.
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