Mateus 16 · ARA
Almeida Revista e Atualizada
Neste capítulo, Jesus repreende fariseus e saduceus que pedem um sinal, alerta os discípulos sobre o 'fermento' da doutrina deles e, em Cesareia de Filipe, recebe a confissão de Pedro de que ele é o Cristo. Em seguida, Jesus anuncia pela primeira vez seu sofrimento, morte e ressurreição, e ensina sobre o custo do discipulado.
O Evangelho de Mateus foi escrito por um judeu-cristão, tradicionalmente identificado como o apóstolo Mateus, para uma comunidade de judeus e gentios convertidos, provavelmente na Síria, por volta dos anos 80-90 d.C. O autor busca mostrar que Jesus é o Messias prometido no Antigo Testamento, o cumprimento das profecias e o Rei do Reino de Deus.
Este capítulo marca um ponto de virada no livro. Antes dele, Jesus realiza milagres e ensina as multidões na Galileia, mas enfrenta crescente oposição dos líderes religiosos. A partir daqui, ele se volta para preparar os discípulos para sua paixão e para a fundação da igreja. A confissão de Pedro em Cesareia de Filipe é o clímax da revelação da identidade de Jesus, e a primeira predição da morte é o início do caminho para a cruz.
A região de Cesareia de Filipe, mencionada no verso 13, ficava ao norte da Galileia, próxima às nascentes do rio Jordão, e era um centro de culto pagão (com um templo dedicado ao deus Pã e ao imperador). O contraste com a pergunta de Jesus sobre sua identidade é significativo: em meio a tantos deuses e imperadores, quem os discípulos dizem que ele é? A expressão 'portas do Hades' (verso 18) não se refere a um lugar físico, mas à força da morte e do caos; a promessa de que a igreja não será vencida por elas é uma garantia de vitória sobre a morte.
O verso 19, sobre as chaves do Reino e o poder de ligar e desligar, é frequentemente citado em debates sobre a autoridade eclesiástica. No contexto, Jesus fala diretamente a Pedro, mas em Mateus 18.18 a mesma autoridade é estendida a todos os discípulos. A expressão 'ligar e desligar' era usada pelos rabinos para significar 'proibir e permitir' ou 'declarar obrigatório ou não obrigatório' em questões de interpretação da lei. O verso 28, 'alguns dos que estão aqui de modo algum morrerão até que vejam o Filho do Homem vir no seu reino', é interpretado de diferentes maneiras: pode referir-se à transfiguração (capítulo 17), à ressurreição de Jesus, ao derramamento do Espírito Santo em Pentecostes ou à destruição de Jerusalém em 70 d.C. A maioria dos estudiosos vê uma conexão direta com o evento da transfiguração, que ocorre logo em seguida.
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