Jonas 1 · ARA
Almeida Revista e Atualizada
Jonas recebe a ordem de Deus para pregar contra a cidade de Nínive, mas desobedece e foge para Társis de navio. Durante a viagem, uma grande tempestade ameaça o navio, e os marinheiros, após sortearem a culpa, descobrem que Jonas é o responsável e o lançam ao mar, que se acalma. Jonas é então engolido por um grande peixe preparado por Deus, onde passa três dias e três noites.
O livro de Jonas é um dos chamados Profetas Menores do Antigo Testamento, mas se distingue por ser uma narrativa sobre o profeta, e não uma coleção de suas profecias. A autoria é tradicionalmente atribuída ao próprio Jonas, filho de Amitai, que é mencionado em 2 Reis 14:25 como um profeta do século VIII a.C., durante o reinado de Jeroboão II em Israel. No entanto, muitos estudiosos modernos consideram que o livro foi escrito posteriormente, talvez no período pós-exílico, devido ao seu tom teológico e ao tratamento universalista de Deus. A data exata é disputada, mas a narrativa se passa no contexto do Império Assírio, do qual Nínive era a capital, uma cidade conhecida por sua crueldade e poderio militar.
Este capítulo é a abertura do livro e estabelece o conflito central: Jonas, um profeta israelita, recebe uma missão divina que ele rejeita. O capítulo anterior (ou a situação antes do livro) é o chamado de Jonas, que não é registrado; o leitor é introduzido diretamente à ordem de Deus. Jonas foge na direção oposta, para Társis, possivelmente uma cidade na atual Espanha ou Sardenha, indicando sua intenção de ir o mais longe possível de Nínive e da presença de Deus. A tempestade e a sorte revelam a culpa de Jonas, e o comportamento dos marinheiros contrasta com a rebeldia do profeta: eles clamam a seus deuses, tentam salvar o navio e, ao final, temem a Jeová. O capítulo prepara o cenário para o arrependimento de Jonas no ventre do peixe (capítulo 2) e a subsequente pregação em Nínive.
Um detalhe cultural importante é a prática de lançar sortes para determinar a vontade divina, comum no antigo Oriente Próximo. Os marinheiros, que são estrangeiros e politeístas, recorrem a esse método, e a sorte cai sobre Jonas, confirmando para eles que o Deus de Jonas está agindo. Além disso, o "grande peixe" (versículo 17) não é especificado como baleia na tradição hebraica; o termo hebraico "dag gadol" significa simplesmente "peixe grande", e a ideia de uma baleia vem de traduções posteriores. O período de "três dias e três noites" é uma expressão idiomática que pode indicar um período completo ou prolongado, não necessariamente 72 horas exatas.
O versículo 9, em que Jonas diz "Eu sou hebreu e temo a Jeová, Deus do céu, que fez o mar e a terra", é frequentemente citado fora de contexto como uma declaração de fé isolada. No contexto do capítulo, porém, Jonas está confessando sua identidade e seu Deus aos marinheiros pagãos, mas sua declaração soa irônica: ele diz temer a Deus, mas está fugindo de Sua presença. A frase serve para contrastar sua profissão de fé com sua desobediência prática.
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