João 5 · ARA
Almeida Revista e Atualizada
Jesus cura um homem paralítico no tanque de Betesda, em um sábado, o que gera perseguição por parte dos líderes judeus. Em seu discurso de defesa, Jesus afirma sua relação única com o Pai e sua autoridade para dar vida e realizar juízo.
O Evangelho de João é anônimo, mas a tradição cristã antiga o atribui ao apóstolo João, filho de Zebedeu. A data é disputada: muitos estudiosos propõem o final do século I, entre 90 e 100 d.C., enquanto outros sugerem uma data anterior. O livro foi escrito para uma comunidade de cristãos judeus e gentios, provavelmente na Ásia Menor, com o propósito declarado de levar o leitor a crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus (João 20,30-31).
Este capítulo se divide em duas partes. Nos versículos 1 a 18, Jesus realiza um milagre no sábado e é confrontado por líderes judeus. Nos versículos 19 a 47, ele responde com um longo discurso sobre sua identidade e autoridade divina. O capítulo anterior (João 4) termina com Jesus curando o filho de um oficial em Cafarnaum, ainda na Galileia. Agora, Jesus sobe a Jerusalém para uma festa judaica não especificada, e o conflito com as autoridades religiosas se intensifica, preparando o terreno para os debates que ocorrerão nos capítulos seguintes.
O tanque de Betesda, escavado arqueologicamente, ficava junto à Porta das Ovelhas, no lado nordeste de Jerusalém. O versículo 4, que menciona um anjo agitando a água, está ausente nos manuscritos mais antigos e confiáveis do Evangelho de João, sendo considerado uma adição posterior. A cura no sábado violava as interpretações rabínicas da lei, que proibiam carregar objetos nesse dia, e a afirmação de Jesus de que Deus é seu próprio Pai (versículo 18) era entendida como blasfêmia.
Uma passagem comumente citada fora de contexto é o versículo 39: "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna". Em seu contexto original, Jesus não está endossando uma prática de estudo bíblico, mas repreendendo os líderes religiosos por confiarem nas Escrituras como meio de salvação, enquanto rejeitam a própria pessoa a quem as Escrituras apontam. A frase é uma acusação, não uma exortação.
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