✧O meu espírito se vai consumindo, os meus dias se vão apagando, e só tenho perante mim a sepultura. ✧2Estou, de fato, cercado de zombadores, e os meus olhos são obrigados a lhes contemplar a provocação. ✧3Dá-me, pois, um penhor; sê o meu fiador para contigo mesmo; quem mais haverá que se possa comprometer comigo? ✧4Porque ao seu coração encobriste o entendimento, pelo que não os exaltarás. ✧5Se alguém oferece os seus amigos como presa, os olhos de seus filhos desfalecerão. ✧6Mas a mim me pôs por provérbio dos povos; tornei-me como aquele em cujo rosto se cospe. ✧7Pelo que já se escureceram de mágoa os meus olhos, e já todos os meus membros são como a sombra; ✧8os retos pasmam disto, e o inocente se levanta contra o ímpio. ✧9Contudo, o justo segue o seu caminho, e o puro de mãos cresce mais e mais em força. ✧10Mas tornai-vos, todos vós, e vinde cá; porque sábio nenhum acharei entre vós. ✧11Os meus dias passaram, e se malograram os meus propósitos, as aspirações do meu coração. ✧12Convertem-me a noite em dia, e a luz, dizem, está perto das trevas. ✧13Mas, se eu aguardo já a sepultura por minha casa; se nas trevas estendo a minha cama; ✧14se ao sepulcro eu clamo: tu és meu pai; e aos vermes: vós sois minha mãe e minha irmã, ✧15onde está, pois, a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver? ✧16Ela descerá até às portas da morte, quando juntamente no pó teremos descanso.