Mateus 24 · ACF
Almeida Corrigida Fiel
Jesus prediz a destruição do templo e, sentado no Monte das Oliveiras, responde às perguntas dos discípulos sobre quando isso acontecerá e qual será o sinal de sua vinda e do fim dos tempos. Ele descreve sinais, tribulações e a vinda do Filho do Homem, concluindo com parábolas sobre vigilância.
O Evangelho de Mateus é tradicionalmente atribuído ao apóstolo Mateus, mas a autoria é disputada entre estudiosos; muitos acreditam que foi escrito por um judeu-cristão para uma comunidade de origem judaica, possivelmente na Síria ou na Palestina, por volta dos anos 80-90 d.C. O capítulo 24 faz parte do chamado "Discurso Escatológico" (capítulos 24-25), o último dos cinco grandes discursos de Jesus em Mateus.
Este discurso ocorre após a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e seus conflitos com as autoridades religiosas no templo (capítulos 21-23). No capítulo 23, Jesus pronuncia severas críticas aos fariseus e escribas, e ao sair do templo, os discípulos chamam sua atenção para a grandiosidade do edifício, provocando sua profecia de destruição. O discurso responde a duas perguntas dos discípulos: quando o templo seria destruído e qual seria o sinal da vinda de Jesus e do fim dos tempos.
A expressão "abominação de desolação" (versículo 15) faz referência ao livro de Daniel (9.27; 11.31; 12.11) e originalmente se referia à profanação do templo por Antíoco Epifânio em 167 a.C. No contexto de Mateus, muitos intérpretes entendem que Jesus se refere a um evento futuro, possivelmente a destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C., quando o exército romano cercou e arrasou a cidade e o templo. O versículo 34, "não passará esta geração sem que todas essas coisas se cumpram", é interpretado de maneiras diferentes: alguns entendem que se refere à geração contemporânea a Jesus e ao julgamento sobre Jerusalém em 70 d.C.; outros veem como referência à geração que verá os sinais do fim; e há ainda quem entenda "geração" como povo ou raça judaica.
O versículo 36, "daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão só o Pai", é frequentemente citado para enfatizar a ignorância humana e até divina (na natureza humana de Cristo) sobre o tempo exato do fim. Este versículo contrasta com o ímpeto de alguns em calcular datas, e muitos cristãos o usam para defender a vigilância em vez da especulação cronológica. A passagem sobre os dias de Noé (versículos 37-39) é usada para ilustrar a normalidade da vida antes do julgamento repentino, e não para defender uma interpretação literal de como será a volta de Cristo.
Almeida Corrigida Fiel (ACF). © Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. Texto protegido por direitos autorais.